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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem (Marcos 7,37)

Carlos Eduardo Calvani , Maio 14, 2007

Ouvir e falar são verbos associados à sensibilidade e também à cidadania. É através dos Taxi Heathrow Airport sentidos da audição, da voz ou da linguagem dos sinais que interagimos com o mundo.

Todos os dias ouvimos nos noticiários reportagens sobre o aumento da violência, sobre corrupção e impunidade ou sobre o aquecimento global. A rapidez com que essas coisas acontecem e são divulgadas pela mídia nos fazem acreditar que são eventos normais que devem fazer parte da vida.  

No tempo de Jesus, as pessoas surdas e mudas eram discriminadas porque se acreditava que esses problemas físicos eram uma espécie de castigo divino. Muitos sofriam até mesmo a rejeição dos familiares e passavam a vida isolados no ostracismo ou na mendicância.

O preconceito afastava essas pessoas do pleno exercício da cidadania. Não tinham voz na sociedade e tampouco eram alvo de preocupações destinadas a incluí-las plenamente na gestão social.

Um dos aspectos do ministério de Jesus era o de devolver a dignidade às pessoas que sofriam discriminação e preconceito. Por isso, boa parte de sua vida foi destinada a curar cegos, surdos e mudos.

Tais curas, além do benefício pessoal que trazia aos agraciados, também tinham conseqüências sociais. As pessoas curadas recuperavam direitos que até então lhes eram negados: o acesso à informação, o discernimento e a capacidade de se expressar.

Hoje em dia, nem é preciso ser fisicamente surdo ou mudo para se sentir excluído. O descaso público, e por vezes também familiar, para com a educação básica na infância e adolescência acaba empurrando muitas pessoas à delinqüência, ao subemprego ou ao isolamento.

Quem não tem acesso à educação fundamental acabará também por não ter voz ou discernimento político e social. O desinteresse de nossa juventude e de muitos adultos por política é sinal claro de que nossa sociedade está falhando. As conseqüências desse despreparo se manifestam através do aumento da violência.

 
Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Seu ministério não mudou. Ele continua desejando fazer surdos ouvirem e mudos falarem e isso deve acontecer primeiramente através de seu corpo, de sua expressão visível no mundo, que é a Igreja.

As igrejas cristãs, herdeiras do ministério e do poder de Cristo, devem começar a repensar de que modo estão atualizando a missão de Jesus e realizando sua obra. Ações concretas que ajudem as pessoas a recuperarem sua dignidade e a exercerem a cidadania responsável são formas de atualizar o que Jesus começou: fazer os surdos ouvirem e os mudos falarem.

* Carlos Eduardo B. Calvani é teólogo, sacerdote da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e integra a Comissão Teológica do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).