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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Governo Ortega despreza legalidade, diz Centro de Direitos Humanos

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Abril 18, 2007

Ao avaliar os 100 primeiros dias do governo do presidente Daniel Ortega, o Centro Nicaragüense Taxi Heathrow Airport de Direitos Humanos (CENIDH) considerou que as suas ações e atitudes demonstram falta de respeito e inclusive desprezo à legalidade e institucionalidade.

Ao fazer a leitura do relatório dos 100 dias do governo Ortega, a presidenta do CENIDH, Vilma Núñez, disse que com tais ações o Executivo está violando os direitos humanos e a segurança jurídica dos nicaragüenses. “Isso dever ser corrigido imediatamente”, enfatizou Nüñez, que classificou o governo de “autoritário e concentrador de poder”.  

O relatório indica que a ingerência partidária no campo institucional converteu-se num instrumento para garantir a impunidade dos poderosos e para propiciar contínuas violações aos direitos humanos. O prolongamento da vigência da lei marco impediu que Ortega tivesse seus poderes diminuídos, o que poderia ter impedido alguns dos abusos institucionais.

A lei marco deveria ter expirado no dia 20 de janeiro deste ano, mas por causa do pacto com o Partido Liberal, liderado pelo ex-presidente Arnoldo Aleman, acabou sendo prolongada. A atuação dos ministros, com algumas exceções, vem sendo marcada pelo silêncio, o anonimato e a falta de interesse sobre temáticas de relevância nacional, arrola o relatório do CENIDH.

Uma das ações mas criticadas do presidente Ortega diz respeito à criação do Conselho de Comunicação e Cidadania, instituição introduzida segundo as ambições de poder de sua mulher, Rosario Murillo. Ao dar-lhe tanto poder, o presidente da República viola o artigo 130 da Constituição política. O nepotismo, entendido como forma de corrupção, é expressamente proibido pela lei de probidade dos serviços públicos.

No capítulo sobre política econômica, o relatório menciona que o governo não teve capacidade para mudar a política orçamentária, com exceção de algumas variantes, e mantém como prioridade o pagamento de uma dívida interna onerosa, ilícita e imoral.

O CENIDH considera preocupante que, em aberto desacato ao princípio constitucional, a Nicarágua venha se constituindo num Estado confessional católico, tendência iniciada em governos anteriores e assumida e aprofundada pelo novo governo.

Depois de proferir duras criticas ao governo federal, Núñez também valorizou alguns passos positivos de Ortega. Ela destacou a redução dos salários dos altos funcionários do Poder Executivo e a reforma na saúde. Em matéria de educação, há avanços mas é preciso destinar mais dinheiro para satisfazer as demandas do magistério nacional, que reivindica aumento salarial, alertou.