![[José Aurelio Paz]](/picture/Culto_Octavario_por_la_unidad_de_los_Cristianos_de1f78.jpg)
Cristandade celebra a Páscoa este ano na mesma época
CMI/ALC, Abril 5, 2007
O Concílio de Nicéia estabeleceu, no ano de 325, a regra egundo a qual a Taxi Heathrow Airport Páscoa seria celebrada no primeiro domingo depois da lua cheia que segue ao equinócio da primavera no hemisfério Norte.
Por que a celebração da Páscoa não cai na mesma data no ano, como o Natal?
Porque no século IV foi decidido celebrar a Páscoa da Ressurreição depois da primeira lua cheia que segue ao equinócio da primavera no hemisfério Norte ou o equinócio de outono no hemisfério Sul. Equinócio é o dia do ano em que a noite e o dia têm a mesma duração. Isso acontece duas vezes ao ano, na primavera e no outono.
Uma resposta mais detalhada seria a seguinte:
De conformidade com o Antigo Testamento, a morte e a ressurreição de Jesus ocorreram no tempo da Páscoa judia. Segundo os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas, a último ceia de Jesus com os seus discípulos foi um jantar de Páscoa (Pésaj)[1], enquanto, segundo o evangelista João, Jesus morreu no dia da Páscoa.
Naquela época, a Páscoa judia era celebrada seguindo as prescrições bíblicas e que correspondia ao “décimo quarto dia do primeiro mês” (ver Levíticos 23,5; Números 28,16; Josué 5,11).
Os meses do calendário judeu começavam com a lua nova, assim que o décimo quarto dia correspondia ao dia da lua cheia. O primeiro mês, Nisán, começava com a lua nova da primavera. Assim, a Páscoa judaica é celebrada no dia da primeira lua cheia depois do equinócio da primavera e por isso era uma festividade móvel.
Como se deduz de fontes antigas, isso teve como conseqüência que, desde os primeiros tempos, os cristãos de diferentes regiões celebravam a Páscoa em datas diferentes. Já no final do século II, algumas igrejas celebravam a Páscoa cristã no mesmo dia da Páscoa judaica, independentemente se era um domingo ou não, enquanto outras a celebravam no domingo seguinte.
No final do século IV havia quatro métodos diferentes de calcular a data da Páscoa cristã. Diante dessa situação, o Concílio de Nicéia, em 325, procurou uma solução unificada que guardaria relação com a data da Páscoa judaica, como era celebrada no tempo de Jesus. Para isso, foi fixada a celebração da Páscoa numa data móvel.
Como se calcula, pois, a data da Páscoa?
O Concílio de Nicéia estabeleceu a regra segundo a qual a Páscoa seria celebrada no primeiro domingo depois da lua cheia que segue ao equinócio da primavera (vernal) no hemisfério Norte.
Por que apesar da regra Nicéia, universalmente válida, existem no cristianismo datas diferentes para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo?
Em primeiro lugar, cabe destacar que inclusive depois do Concílio de Nicéia continuaram existindo diferenças a respeito da data da Páscoa pelo fato de que o Concílio não disse nada sobre o método que deveria ser utilizado para calcular a entrada da lua cheia e do equinócio vernal.
A verdadeira dificuldade dessa situação tem sua origem no século XVI, quando o calendário gregoriano substituiu o Calendário Juliano, que fora estabelecido no ano 46 a.C. Levou certo tempo até que todos os países adotassem o novo calendário – a Grécia não o fez até princípios do século XX! No entanto, as igrejas ortodoxas ainda continuam utilizando o Calendário Juliano para calcular o equinócio da primavera e a lua cheia que o segue. Daí que calculem datas diferentes.
Por que o Calendário Gregoriano foi reformado? Era necessário fazê-lo?
A reforma do calendário levada a cabo pelo papa Gregório XIII era necessária porque o Calendário Juliano, até então em vigor, não era exato quanto à realidade astronômica. Isto é, quando chegava o dia 21 de março, segundo o calendário, o equinócio vernal astronômico já acontecera.
O problema fundamental que essa situação propõe é que no ano astronômico – isto é, o tempo que a Terra precisa para dar uma volta ao redor do sol – não tem exatamente 365 dias, mas 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos. Agora bem, como era necessário dividir o ano, por razões práticas, em períodos de tempo iguais, este problema foi resolvido com a introdução dos anos bissextos.
Em que consiste a diferença entre o Calendário Juliano e o Gregoriano?
A diferença entre os dois calendários consiste precisamente na forma de resolver o problema mencionado. O Calendário Juliano o fez prevendo um dia bissexto a cada quatro anos. No entanto, com isso o ano do Calendário Juliano é 11 minutos e 14 segundos mais longo do que a volta real da Terra ao redor do Sol. Por conseguinte, o ano trópico e o cálculo do calendário diferem num dia a cada 128 anos.
O equinócio real, por exemplo, tem lugar um dia antes da data prevista no calendário. O Calendário Gregoriano tratou de corrigi-lo encurtando o ano médio do calendário. Foi introduzida uma regra complementar – apartando-se da regra do bissexto do Calendário Juliano – segundo a qual os anos múltiplos de 100, mas que não são múltiplos de 400, não seriam bissextos. Com esta redução dos anos bissextos, o Calendário Gregoriano se aproxima mais à realidade astronômica do que o Juliano, ainda que ainda não seja “exato”: a diferença entre a realidade astronômica e a data do calendário é, assim, de apenas 26 segundos.
Para chegar a uma diferença de um dia são necessários 3.600 anos. Por enquanto, o Calendário Juliano tem 13 dias de atraso em relação ao Gregoriano, e, no ano 2100, a diferença será de 14 dias. Isto é, a data do equinócio vernal, que foi fixado, segundo o Calendário Juliano, no 21 de março, e da qual depende a data da Páscoa, corresponde, segundo o Calendário Gregoriano, a 3 de abril.
Uma e outra data sempre se encontram com duas semanas de diferença?
Não. A separação entre as duas datas de Páscoa é diferente a cada ano. Pode chegar até cinco semanas. Aparte do fato de que a data do equinócio fica deslocada 13 dias, há que levar em conta quando começa a lua cheia. Porque se a lua cheia tem lugar dentro dos 13 dias entre o equinócio Juliano e o Gregoriano a data da Páscoa ortodoxa será mais tarde.
Existe, ainda, outra dificuldade a respeito, uma vez que, aparte do equinócio, também o sol e a lua têm uma função a desempenhar. No Calendário Juliano calcula-se a entrada da lua cheia com a ajuda do chamado Ciclo Metônico (um ciclo de 19 anos, segundo o qual a cada 19 anos as fases lunares ocorrem na mesma data). No entanto, dado que esse cálculo também não é astronomicamente exato, ocorrem defasagens. Quando isso é adicionado à diferença entre o equinócio juliano e o gregoriano, pode dar lugar a uma diferença de até cinco semanas entre as datas da Páscoa ortodoxa e da Páscoa no Ocidente.
A regra nicena tem uma disposição que é muito importante para os ortodoxos. Nessa disposição fica estabelecido que não se deve celebrar a Páscoa “com” (grego: “meta”) os judeus. Ainda que é verdade que não está completamente claro para os teólogos o que se entendia com essa disposição, o fato é que a Páscoa ortodoxa não deve coincidir com a data da Páscoa judaica. Se isso ocorre, a Páscoa é adiada por uma semana.
Este ano, uma e outra festividades ocorrem na mesma data. Quando se produz esta situação?
As duas datas coincidem quando a lua cheia que segue ao equinócio da primavera cai tão tarde que corresponde também à primeira lua cheia depois do dia 21 de março, segundo o Calendário Juliano. Isto não ocorre com regularidade. No entanto, ocorreu com freqüência nos últimos anos: 2001, 2004 e 2007. E acontecerá novamente em 2010, 2011, 2014 e 2017, mas depois será necessário esperar até 2034.
Mas por que algumas igrejas ortodoxas celebram o Natal na mesma data que as igrejas ocidentais?
O Natal é comemorado numa data fixa em todas as igrejas, firmada a data, em todos os casos (à exceção da Igreja Armênia), o dia 25 de dezembro. No entanto, dado que a Igreja Ortodoxa Russa, a Igreja Ortodoxa Sérvia, o Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém e a Igreja Ortodoxa da Geórgia seguirem o Calendário Juliano, a data em que celebram o Natal corresponde no Calendário Gregoriano ao dia 7 de janeiro.
A Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja Ortodoxa Búlgara, os patriarcados da Antioquia e da Alexandria, e a Igreja Ortodoxa Romena seguem o Calendário Gregoriano (com exceção do cálculo da Páscoa) e celebram o Natal no mesmo período que as igrejas ocidentais o fazem. A Igreja Apostólica Armênia é a única que conservou a data original da Festa de Natal, ou seja, o dia 6 de janeiro. Nessa data, celebra-se o Batismo de Jesus.
Está sendo feito algo para unificar as duas celebrações da Páscoa?
Teve e seguem os esforços nesse sentido. Por exemplo, no início do século XX foram empreendidos, por diversas razões, esforços especiais para resolver essa questão. Em 1902, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Joaquim III iniciou um debate entre as igrejas ortodoxas para atingir uma maior unidade entre os cristãos.
Quando, em 1923, o Parlamento grego decidiu introduzir o Calendário Gregoriano, desencadeou-se um conflito entre a Igreja Ortodoxa e o Estado. Não foi senão por essa razão que se convocou um congresso panortodoxo em maio de 1923, no qual foi revisado o Calendário Juliano para conseguir uma maior exatidão astronômica.
Segundo esse calendário, conhecido com o nome de Calendário Meleciano (do patriarca Melécio IV Metaxakis de Constantinopla), o ano é só mais 2 segundos longo que o ano solar astronômico, ou seja, que a cada 45.000 anos ocorre uma diferença de um dia. Os cálculos se baseiam em observações a partir de Jerusalém ao invés de Greenwich. Por conseguinte, este calendário é o mais exato até o presente. Não obstante, sua introdução deu lugar a divisões nas igrejas ortodoxas, em particular nas igrejas Ortodoxa Grega e Ortodoxa Romena. Desde então o tema figura uma e outra vez na ordem do dia das conferências panortodoxas.
Ao mesmo tempo, começou o debate no âmbito secular. No mundo dos negócios foi pedido um cálculo mais singelo e mais fundamentado. Em 1928, o Parlamento britânico aprovou a chamada Ata da Páscoa, na qual exorta à celebração da Páscoa num domingo fixo, isto é, o domingo que segue ao segundo sábado de abril. No entanto, a Ata dispõe que isso só deveria ser introduzido com o consentimento unânime das igrejas cristãs.
Já em 1923, a Sociedade das Nações tinha abordado a questão, transmitindo-a ao Advisory and Technical Committee for Communications and Transit (Comissão Técnica Assessora de Comunicações e Trânsito), que, por sua vez, queria introduzir um novo calendário universal que dividisse o ano em meses de igual duração.
Essa divisão teria como conseqüência a inclusão de um ou dois dias fora do ritmo normal dos sete dias da semana, para compensar o tempo que faltava. Quanto à data da Páscoa, propôs-se a solução britânica e foram auscultadas as igrejas para saber sua opinião. O resultado dessa enquete foi que a maioria das igrejas protestantes, representadas no Conselho Mundial de Vida e Ação, era a favor de uma data da Páscoa fixa. O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla respondeu que ainda que a Igreja Ortodoxa estava a favor de um calendário que mantivesse a continuidade da semana, ela estaria disposta a aceitar uma data fixa para Páscoa, com a condição de que ela continuasse a ser celebrada num domingo e que todas as igrejas cristãs estivessem de acordo. A primeira resposta de Igreja Católica Romana foi que a questão só podia ser resolvida por um Concílio ecumênico. No entanto, alguns anos depois, sua resposta passou a ser uma negativa rotunda.
Esses esforços foram assumidos pela ONU como organização sucessora da Sociedade das Nações, mas fracassaram definitivamente em 1955, depois que os Estados Unidos da América recusaram a idéia de um novo calendário temendo à oposição pública por razões religiosas.
A situação não mudou até a celebração do Concílio Vaticano II, cuja Constituição sobre a Sagrada Liturgia dispunha que a Igreja Católica Romana só aprovaria uma data comum variável ou fixa se todas as Igrejas se punham de acordo. Por isso, o Conselho Mundial de Iglesias (CMI) voltou a abordar a questão e levou a cabo uma enquete, em 1965 e 1967, entre suas igrejas membros. A conclusão foi que todas as igrejas desejavam celebrar a Festa da Páscoa numa data comum.
Enquanto a maioria das igrejas ocidentais preferia uma data fixa, as igrejas ortodoxas preferiram uma data comum móvel, segundo a regra nicena. Em 1975, a questão figurava na ordem do dia da Assembléia Geral do CMI, em Nairobi, depois da petição da Igreja Católica Romana de que se empreendesse algo em comum sobre esta questão no marco da Assembléia Geral.
Uma nova consulta com as igrejas membros confirmou o resultado da primeira enquete. A Assembléia assinalou claramente que uma decisão só poderia ser tomada pelas próprias igrejas e não pelo CMI. Nesse estado de coisas, entendeu-se que não seria útil formular uma proposta específica, mas foi decidido que os trabalhos deveriam continuar.
Em vista disso, as igrejas ortodoxas, reunidas em sua primeira Conferência Preconciliar Panortodoxa em 1976, decidiram realizar um congresso tão cedo quanto fosse possível. Esse congresso teve lugar em Chambésy (Genebra), em 1977, e ocupou-se sobretudo do problema pastoral que propunha o abandono da regra nicena, pelas divisões que provocaria. Essa conclusão foi reiterada de modo similar na segunda Conferência Preconciliar, em 1982, e a revisão do calendário foi postergada para um momento mais propício, segundo a vontade de Deus.
No CMI não se voltou a propor essa questão até 1997. As duas seções, “Culto e Espiritualidade” e “Fé e Constituição”, organizaram uma consulta em Alepo, na Síria, por encomenda do Comitê Executivo. Nesta consulta foi formulada uma proposta concreta: manter a regra nicena, mas calcular o equinócio da primavera e a lua cheia utilizando os dados astronômicos exatos de que se dispõe hoje em dia, em lugar dos que se utilizavam anteriormente.
Por que essa proposta não foi colocada em prática?
Do lado ortodoxo continuam reiterando os argumentos apresentados em 1977 e em 1982 nas chamadas conferências preconciliares.
Mesmo que a utilização do cálculo astronômico não traria praticamente mudança alguma para as igrejas que empregam o Calendário Gregoriano, as experiências muito dolorosas que as igrejas ortodoxas tiveram ao longo da história, devido aos cismas que ocorreram por causa da reforma do calendário, induzem-nas a ser agora muito prudentes a respeito. Por outra parte, a proposta de que as igrejas ocidentais mudem a data da Páscoa para que coincida com a da Páscoa ortodoxa teria pouco apoio do lado ocidental.

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