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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Violência contra a mulher precisa ser combatida

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Março 5, 2007

A pastora e teóloga batista Rebeca Montemayor, do México, disse que a violência contra a Taxi Heathrow Airport mulher é mais intensa na América Central por causa do neoliberalismo, que provoca pobreza e divide a sociedade.

Montemayor apresentou palestra sobre "O grito das excluídas" no I Encontro Regional, denominado Compromissos Internacionais com os Direitos Humanos das Mulheres a partir de uma Perspectiva Bíblica-Teológica, que iniciou na segunda-feira, 26, nesta capital .

A conferência enfocou a realidade das mulheres, a dor em seus corpos. A pastora citou o exemplo do México, onde 50% dos jovens não têm emprego e tem gente nascendo até em cloacas. Nesses dias, a televisão mostrou imagens de uma jovem mãe que deu à luz a uma menina prematura e desnutrida num esgoto no México. Ela e o companheiro vivem em condições de extrema pobreza e cresceram em condições desumanas.

Frente a violência de gênero a esperança é a organização das mulheres em redes utilizando o que é bom do sistema neoliberal, disse a conferencista, que ouviu também dramáticos testemunhos do sofrimento de mulheres nicaragüenses, salvadorenhas e dominicanas.
 
A líder do Conselho de Igrejas Evangélicas (Cepad), Abilia Ruiz, disse que as mulheres na cidade e no campo sentem-se impotentes. "Até nas igrejas somos ignoradas porque nos ensinaram que temos que obedecer, que é um mandato de Deus. Há que obedecer a um Deus machista, poderoso e até guerreiro", afirmou.

A participante pela Visão Mundial, Auxiliadora Alvarado, disse que a violência é uma dor que todas as mulheres vivem. Ser jovem é perigoso, afirmou. “Sentimos medo de andar nas ruas porque os homens crêem que somos sua propriedade e podem dizer qualquer obscenidade”, lamentou.
 
A líder católica da costa caribenha da Nicarágua, Isabel Estrada, destacou a imensa dor de ver que donas de casas são infectadas pelo HIV-Aids e que sua igreja não permite o uso do preservativo. A delegada da República Dominicana disse que de 2000 a 2006 foram registrados 911 feminicídios no país cometidos por ex-maridos, ex- noivos e parceiros.

Montemayor afirmou que diante da impotência e da dor é preciso despertar e tomar consciência com os olhos e o coração para reafirmar a luta pela transformação deste sistema opressor. "É preciso assumir compromissos para mudar a saúde nos corpos das mulheres e combater a idéia de que só viemos ao mundo para render culto aos homens e para isso temos que ser bonitas", frisou.

A representante do movimento de mulheres cristãs contra a violência, Maydlyn West, pediu para não esquecer das mulheres indígenas e negras. Hoje, ser negra também é uma dor, disse. "A jovem negra não consegue emprego fácil. Nas zonas francas as mulheres jovens são exploradas e quando chegam aos 35 anos já não são úteis, o que causa mais pobreza nos lares”, relatou.
 
A mensagem central da conferência enfatizou que as mulheres não devem desanimar na luta pelo respeito aos seus direitos, porque a violência não é natural.