Religiosos lamentam ausência de paz
Susana Barrera, SAN SALVADOR, El Salvador, Janeiro 10, 2007
Às vésperas do décimo quinto aniversário da assinatura dos Acordos de Paz em El Salvador, Taxi Heathrow Airport o movimento “Religiões Pela Paz” lamentou a situação de violência que aflige essa nação centro-americana.
“A violência é o pão nosso de cada dia, levantamos e vamos para a cama com violência”, disse o reverendo da Igreja Batista Emmanuel, Miguel Tomas Castro, ao fazer alusão às estatísticas de criminalidade que indicam a ocorrência de 12 a 13 assassinatos por dia no país.
Os Acordos de Paz significaram um primeiro passo e contaram com a boa vontade dos signatários, mas a paz não existe, opinou Claudio Kahn, da comunidade judia.
“Religiões Pela Paz – El Salvador” é um movimento que reúne judeus, muçulmanos e cristãos, incluindo as igrejas históricas e pentecostais, além de representações budista e indígenas. O movimento surgiu no país em janeiro de 2006 com a tarefa de oferecer testemunho de tolerância e entendimento.
Os religiosos exortaram, em coletiva de imprensa, ontem, para que pessoas de boa vontade se unam num dia de Ação de Graças, na terça-feira, 16 de janeiro. Eles pediram uma celebração inclusiva com a participação de todas as igrejas, credos e confissões.
No dia 16 de janeiro de 1992, o governo de El Salvador e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN ) assinaram os Acordos de Paz que puseram fim a 12 anos de uma violenta guerra civil, que deixou como saldo 75 mil mortos e milhares de desaparecidos.
“A paz é algo em nível familiar e pessoal, seus pilares são a verdade, a justiça, a liberdade e o amor. Quinze anos depois nos questionamos se esses pilares realmente existem neste país”, afirmou monsenhor Ricardo Uriostes, da Igreja Católica.
O representante da comunidade muçulmana, Armando Bukele, assinalou que está contente com o fim do conflito armado, “mas devemos mudar a nós mesmos, devemos recordar a famosa frase de Mahatma Ghandi: ‘Não há caminho para a paz, a paz é o caminho’”, destacou.

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