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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Violência mata mais mulheres que aids e malária

Micael Vier B., SAO LEOPOLDO, Brasil, Novembro 29, 2006

A violência gera mais mortes entre mulheres de 15 e 44 anos de idade na Taxi Heathrow Airport América Latina do que a malária e a AIDS. "A violência contra as mulheres é um verdadeiro problema de saúde pública", destacou a Dra. Montserrat Sagot, professora da Universidade da Costa Rica.

Ao participar de painel no seminário sobre violência intrafamiliar e de gênero, abrigado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), dias 23 e 24 de novembro, Sagot sublinhou a necessidade de garantir às mulheres maior controle sobre os recursos materiais e simbólicos, e também sobre o seu próprio corpo.

Coordenadora da pesquisa "A rota crítica das mulheres afetadas pela violência intrafamiliar em dez países da América Latina", Montserrat destacou que a falta de resposta institucional frente às situações de violência reflete a concepção de que tudo o que ocorre no âmbito privado deve permanecer fora do controle do Estado. No entanto, completou, a violência de gênero precisa ser tratada como uma violação aos direitos humanos e requer não só a intervenção do Estado, mas também da sociedade civil.

Para a responsável pela Coordenadoria da Mulher da Prefeitura Municipal de São Leopoldo, Dra. Mara Parlow, as experiências de políticas públicas no enfrentamento da violência intrafamiliar devem buscar soluções às questões práticas da vida da mulher. A coordenadora participou de painel programado para o último dia do evento.

Através do serviço público "precisamos nos conectar às mulheres", disse Parlow. Ela manifestou a importância de oferecer à mulher violentada uma alternativa segura de moradia, um local para dormir e para se alimentar.

Utilizando a metáfora do iceberg, Parlow afirmou que diante de situações de violência a mulher expressa apenas uma "pontinha" do seu sofrimento, ficando submerso grande parte da dor e da "desordem" existencial gerada pela agressão. "Precisamos romper com a perspectiva dualista do mundo em que vivemos e que sustenta o domínio de uns sobre os outros", expressou.

Fechando as discussões em torno das "Estratégias de enfrentamento à violência", a professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos, Dra. Edla Eggert, relatou as experiências da pesquisa "Tramando contra a violência de gênero".

Essa pesquisa, informou Eggert, propôs que um grupo de mulheres da periferia de São Leopoldo confeccionasse um pequeno pano utilizando a técnica da colagem de tecidos e através do qual representaram temas relacionados à violência de gênero.

Embora os desenhos apresentassem percepções múltiplas a respeito do assunto, todas as mulheres tinham alguma experiência de violência para contar, disse Eggert. O mais importante do trabalho, contudo, foi verificar, através da confecção de um simples tear, a riqueza das percepções de mundo e das vivências dessas mulheres estampadas naqueles pedaços de pano.