Evangélicos são ingênuos na política, diz assessor parlamentar
Edelberto Behs, QUITO, Ecuador, Novembro 23, 2006
Embora admita a importância do surgimento de novos atores sociais na arena política, o teólogo Taxi Heathrow Airport e advogado equatoriano Carlos Ramos entende que os evangélicos, com raras exceções, não estão preparados para esse exercício da cidadania.
“Em geral, a participação dos evangélicos na política é muito ingênua. É preciso estudar, saber e ter pelo menos uma pequena experiência cidadã antes de enveredar na política”, recomendou Ramos em entrevista para a ALC. O cristão evangélico deve dar um bom testemunho ético e, acima de tudo, não ambicionar riquezas, agregou.
A sociedade latino-americana ainda vê os evangélicos como um referente moral. Infelizmente, a atuação deles no campo político nem sempre corresponde àquela percepção. Ramos lembrou casos de políticos evangélicos equatorianos e de deputados brasileiros envolvidos na máfia das ambulâncias que frustraram expectativas.
Ainda assim, Ramos defende a participação de evangélicos na política, porque também pode mencionar cidadãos evangélicos que contribuíram e contribuem com boas proposições nas casas legislativas. “Se pessoas com valores não se meterem na política, quem vai fazê-lo?” – indaga, para destacar: “O valor fundamental é a ética”.
Para Ramos, o maior problema da América Latina é a concentração da riqueza em poucas mãos. “Outros problemas, como dívida externa, falta de infra-estrutura, desemprego e desenvolvimento, decorrem dessa questão”, avalia.
Carlos Ramos é assessor do presidente do Congresso equatoriano, Wilfrido Lucero. Ele vem de família católica, mas entrou em crise de fé ao questionar o culto aos santos e a autoridade papal. Converteu-se para uma igreja evangélica indígena e hoje está integrado à comunidade luterana de Quito.

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