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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Pastor Juan Stam en la Primera Iglesia Bautista de Managua.jpg
Pastor Juan Stam en la Primera Iglesia Bautista de Managua.jpg

Apóstolos se crêem ungidos de Deus, dizem líderes evangélicos

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Novembro 20, 2006

O título de apóstolo está na moda na América Latina e no Caribe, onde pastores Taxi Heathrow Airport se consideram ungidos de Deus, validados pelo crescimento de suas igrejas, mas assumindo posturas autoritárias,  asseguraram pastores e líderes evangélicos no debate com o teólogo norte-americano Juan Stam.

Após proferir conferência sobre Poder e Autoridade no marco das atividades dos 90 anos da Primeira Igreja Batista de Manágua, que a denominação celebrará em março de 2007, Stam declarou à ALC que muitos pastores atuam como ditadores ao se intrometerem em todos os aspectos da vida dos fiéis, como se tudo soubessem ou estivessem em linha direta com o Todo-Poderoso. "Eu recomendo a esses pastores que aprendam a consultar e trabalhem em equipe, em grupos, que consultem e que acompanhem os seus fiéis", disse o teólogo.

Essa tendência ditatorial provoca malefício às pessoas e acontece em todos os países da América Latina, agregou o teólogo. Ele contou que ouviu fiéis afirmarem que amam a sua igreja, mas não gostam que o pastor escolha com quem devem casar.

Stam disse, na conferência, que o apóstolo é o enviado, o mensageiro, e na Bíblia não aparece nenhuma sucessão de apóstolos, mas sim que eles foram testemunhas da ressurreição. A verdade é que esse titulo está na moda e pastores ou líderes utilizam-no porque dá mais autoridade, mas sobretudo recorrem ao título aqueles pastores que têm sede de poder e dinheiro. Outros usam esse nome porque o titulo de pastor é muito pequeno para pregadores de mega-igrejas. “O que a Igreja precisa é de servos”, destacou.

O pastor da igreja Batista, Félix Ruiz, disse que o movimento de apóstolos que se entendem ungidos está criando conflito nas congregações e que nas igrejas da Convenção Batista já ocorreram divisões. Na Nicarágua pastores usam o termo apóstolo e até mesmo de benfeitores da humanidade.

Stam disse que é preocupante para a Igreja escutar um pregador que sabe tudo, que só ele é autorizado, que só ele pode levantar a voz. Essa tendência hierárquica não é sadia na igreja, destacou.

O teólogo norte-americano pediu aos pastores para não sejam autoritários. Quanto à participação dos evangélicos na política, o teólogo respondeu que é impossível não se meter em política, mas que é preciso fazê-lo sendo mais evangelista do que político. É um desafio cristão a participação política na busca de um governo justo, em igualdade econômica, fazendo os que têm mais doarem bens aos que têm menos, afirmou.