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Domingo, 30 de Maio de 2004

Apelo ao voto evangélico é um desserviço à democracia, diz pastor

Edelberto Behs, RIO DE JANEIRO, Brasil, Setembro 11, 2002

Deus não é cabo eleitoral de ninguém, alerta o pastor sinodal Rolf Schünemann em artigo Taxi Heathrow Airport publicado no sítio LuteranosBrasil. O apelo ao voto evangélico é um desserviço à democracia, afirma.

"As expressões `evangélico vota em evangélico', `irmão vota em irmão' e `o irmão vai defender nossa igreja' representam um grande retrocesso na política brasileira e constituem um grande desserviço à democracia", escreve.

Numa campanha em que candidatos a todos os cargos eletivos, também os presidenciáveis, procuram agradar o segmento evangélico, o pastor evangélico-luterano, titular do Sínodo Sudeste, com sede em São Paulo, questiona essa apropriação, que, entende, é indevida.

"O empenho pelo bem comum representa uma forma especial de amor ao próximo. Um evangélico pode votar em um candidato evangélico, mas não unicamente pelo fato de o candidato ser evangélico e, sim, pela ideologia e propostas que representa. Dizer-se cristão evangélico não significa um salvo-conduto para a política. Fundamental sempre será o compromisso claro e efetivo com o bem comum, em especial com a transformação da sociedade com vistas à superação das causas que levam milhões de pessoas a condições subhumanas", argumenta.

O pastor sinodal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana lembra que a defesa da separação Igreja/Estado foi uma das bandeiras do protestantismo no século XIX. Desde a implantação da República, em 1889, o Estado brasileiro é laico.

Menciona, ainda, que a consciência evangélica reflete uma profunda liberdade para agir de forma responsável no mundo e na sociedade. Bem por isso, nenhum pastor, nenhum padre, nenhuma igreja podem impor qualquer proposta político-partidária.

"É condenável o uso e abuso de símbolos religiosos, bem como o nome de Deus com o objetivo de sensibilizar e ganhar votos. Deus não é cabo eleitoral de ninguém, de modo que nenhuma candidatura pode arvorar-se como preferida de Deus", proclama.

Ele lamenta, no artigo, que para certos segmentos do protestantismo a descoberta da política tenha representado a aceitação de "vícios nefastos presentes na política brasileira", como o coronelismo e o clientelismo, que se expressam na defesa de interesses corporativos.

Schünemann incentiva, na manifestação, o exercício da cidadania e a participação, "de forma crítica e responsável", na vida política brasileira. Condena a defesa de interesses corporativos - igrejas, grupos religiosos -, o que, entende, representa "uma forma de egoísmo grupal". O empenho pelo bem comum é uma manifestação de amor ao próximo, ensina.