![Marcha anti aborto en Managua [Trinidad Vazquez]](/picture/Marcha_anti_aborto_d0c747.jpg)
Assembléia Nacional ignora marcha das mulheres
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Outubro 11, 2006
A controvérsia em torno da despenalização do aborto continua. Enquanto a marcha da Igreja Católica Taxi Heathrow Airport e de setores conservadores foi bem vista pela Assembléia Nacional, a marcha das mulheres foi ignorada.
A Universidade Evangélica Nicaragüense (UENIC) e a maioria das igrejas tradicionais e instituições, como o Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (Cepad) e o Centro intereclesial de Estudos Teológicos e Sociais (Cieets) não participaram da marcha contrária a todo tipo de aborto, convocada pela Conferência Episcopal católica no dia 6 de outubro.
O presidente da Uenic, professor Willian González, informou que a instituição ainda não tem uma opinião oficial sobre o assunto porque precisa consultar a junta diretiva e a assembléia. Há setores da universidade que apóiam o aborto terapêutico, enquanto outros que o rechaçam.
A marcha, que contou com a participação de milhares de católicos incluindo estudantes de colégios religiosos de todo o país, percorreu os três quilômetros que separam a catedral do prédio da Assembléia. Os evangélicos, por sua vez, marcharam separados dos católicos, pois saíram do Estádio Nacional até a Assembléia, pelo lado oeste do parlamento.
Ao término da marcha, a Conferência Episcopal católica e os líderes evangélicos, Saturnino Cerrato e Cesar Augusto Marenco, entregaram 290 mil assinaturas à mesa diretora da Assembléia, pedindo que seja retirada do Código Penal a figura do aborto terapêutico. O bispo de Manágua, Leopoldo Brenes, disse que o desfile cívico tinha o objetivo de respeitar o direito à vida desde a concepção.
Representando os evangélicos ultraconservadores, o pastor Roberto Rojas disse que apoiava a demanda da Igreja Católica, porque estão a favor da vida, que é um presente de Deus. Rojas enfatizou que no mundo de hoje aparecem muitos Herodes com ânsia de matar vidas que poderiam ser úteis. O pastor pediu que as pessoas orem para que a mente e o coração dos legisladores que desejam apertar na Assembléia o botão da morte convertam-se em defensores da vida.
Depois da marcha, o presidente em exercício da Assembléia Nacional, René Núñez, prometeu ao altos representantes da Igreja Católica e das igrejas evangélicas penalizar qualquer tipo de aborto, inclusive o terapêutico, permitido pelo Código Penal vigente.
Ontem, o Movimento Autônomo de Mulheres reuniu milhares de mulheres que marcharam até a Assembléia Nacional para chamar a atenção dos deputados sobre o tema. Juana Jiménez, da rede da não-violência contra as mulheres, disse que penalizar o aborto terapêutico é aumentar o índice de mortes maternas. Apesar da mobilização, a Assembléia não atendeu as mulheres que reivindicavam a favor do aborto terapêutico.
Segundo informações da imprensa, o parlamentar Wilfredo Navarro denunciou a existência no país de uma série de organismos não-governamentais que “estão fazendo negócios com o aborto”, sem assinalar nomes nem sustentar sua acusação.

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