EST abre curso de musicoterapia
Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Setembro 5, 2002
O Ministério da Educação (MEC) autorizou o funcionamento do bacharelado em Musicoterapia, solicitado pelo Instituto Taxi Heathrow Airport Superior de Música (ISM) e em tramitação desde outubro de 1998.
O Instituto é vinculado à Escola Superior de Teologia (EST), de São Leopoldo. O curso, que deverá iniciar em março de 2003, vai oferecer 30 vagas e tem por objetivo formar musicoterapeutas, profissionais capazes de promover alívio a pessoas em estado de sofrimento, "conduzindo o paciente da doença à saúde, da debilidade à plenitude, através de experiências musicais".
Esse será o primeiro curso de musicoterapia no Rio Grande do Sul e o quinto em funcionamento no país. "A área ainda é muito recente, tem 50 anos no mundo", informou a diretora interina do curso, professora Helena de Souza Nunes, em entrevista à ALC.
Alemanha, Itália e Estados Unidos já têm desenvolvido boa base científica para o estudo da musicoterapia. "Se nós entendemos que através da música podemos curar as nossas feridas, também podemos ajudar outras pessoas a curar as suas", disse a presidente da Associação de Musicoterapia do Rio Grande do Sul, Leonie Fest Andreolla.
A Associação, que tem 35 anos de existência, foi grande incentivadora para que a EST introduzisse esse curso no Estado. "Até novembro queremos fazer uma campanha de informação a respeito dessa atividade, que é pouco conhecida da população", admitiu Helena.
O curso foi anunciado pela EST no dia 22 de agosto. "Nesses dias, já recebemos inúmeros telefonemas de pessoas interessadas", contou a diretora interina, satisfeita com o resultado.
A profissão não é regulamentada no Brasil. O musicoterapeuta pode atuar em três áreas principais: a clínica, exercendo a atividade em hospitais, clínicas de reeducação; a pedagógica, voltando as atenções a escolas formais ou especiais; e a artística, área que permite atividades mais informais, com atuações em associações comunitárias, clubes de serviço e outros.
O Bacharelado em Musicoterapia do ISM dará ênfase à voz e, em extensão, ao canto coral. O interessado em cursar essa nova proposta terá que ter bons conhecimentos musicais e dominar um instrumento. O curso, de quatro anos e meio de duração, é resultado do jeito de se fazer música na EST nos últimos 25 anos, definiu a professora Helena.
Depois de constatar que, com o avanço dos meios de comunicação de massa e a oferta da indústria cultural no anos 80, congregações evangélico-luteranas sofreram um esvaziamento musical, a EST decidiu introduzir, então, um curso técnico de música, com o objetivo de revigorar o canto coral, uma das manifestações culturais de grande expressão nas áreas colonizadas por imigrantes alemães.
"As pessoas no Rio Grande do Sul gostam muito de cantar. A tradição do canto coral é forte no Estado", frisou Helena, relatando que o curso técnico de música do IMS dá ênfase à voz, ao violão e ao teclado enquanto instrumentos que apoiam o canto.
A escola também deu início a um laboratório de afinação, envolvendo pesquisa e incentivo aos corais nas congregações. "Hoje, dá para dizer que já se nota um revigoramento do canto coral nas comunidades da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB)", relatou a professora Helena.
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