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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2003

Sua Santidade Aram I, moderador para uma etapa de crise no CMI [Foto: Peter Williams-CMI]
Sua Santidade Aram I, moderador para uma etapa de crise no CMI [Foto: Peter Williams-CMI]

CMI enfrenta desafios e crise financeira

GENEBRA, Suiza, Setembro 3, 2002

Ficou evidente, no término de oito dias de reuniões do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), nesta terça-feira, 3, um clima de preocupação motivada pelos problemas financeiros, e de esperança diante os grandes desafios que o mundo de hoje apresenta.

O déficit do organismo ecumênico em 2001 foi de mais de 4,3 milhões de francos suíços (cerca de 2,8 milhões de dólares), motivado por maus resultados de investimentos, a perda de divisas, e a queda da anuidade. Apenas 53% das igrejas membros estão em dia com sua contribuição anual.

Segundo relatório da Comissão de Finanças, a crise financeira ainda está longe de ser superada. No dia 30 de junho deste ano, o CMI registrou um déficit de 2,5 milhões de francos suíços (cerca de 1,66 milhão de dólares), o que obrigou o organismo a reduzir programas e a realizar ajustes administrativos.

Em contrapartida, o relatório da Comissão Especial sobre a Participação dos Ortodoxos no CMI, que antecipava calorosos debates, foi aprovado sem maiores contratempos em plenário. O centro das atenções estava voltado à crise financeira e na definição da cidade que vai abrigar a IX Assembléia Geral do organismo ecumênico em 2006.

Embora o caminho para uma verdadeira comunhão entre as igrejas cristãs esteja cheia de obstáculos, o relatório da Comissão Especial sobre a Participação dos Ortodoxos no CMI foi recebido como um passo positivo e se espera que uma comissão mista dê continuidade às conversações, velando pela aplicação dos acordos agora entabulados. De momento, está afastada a possibilidade de afastamento das igrejas ortodoxas do CMI.

O tema crucial das relações entre um setor crítico das igrejas ortodoxas e o CMI ficou evidente na Assembléia Geral de Harare, em 1998, quando líderes ortodoxos criticaram a excessiva influência dos protestantes liberais na agenda do organismo ecumênico e exigiram uma reestruturação radical do Conselho quanto ao processo de tomada de decisões.

As igrejas ortodoxas, que se uniram ao CMI em 1961, representam um quarto das igrejas membros do organismo ecumênico. Seus líderes argumentaram, em Harare, que, de acordo com o sistema de votação por maioria, os ortodoxos sempre são derrotados nas suas proposições.

Agora em Genebra, o Comitê Central do CMI aprovou a decisão por consenso, embora não ficasse descartada a possibilidade de votação, especialmente em assuntos administrativos.

Como é corriqueiro nesse tipo de reunião, o Comitê Central emitiu várias declarações a respeito de temas cruciais para a humanidade. Reiterou preocupação sobre as tensões entre a Índia e o Paquistão, denunciou o Plano Colômbia, questionou as perseguições perpetradas a minorias religiosas em países asiáticos, e destacou a importância do diálogo inter-religioso.

O Comitê Central transmite às igrejas uma nota de esperança motivada pelas repercussões do trabalho do CMI nos últimos anos. Em especial os programas de luta contra o racismo, de acompanhamento pastoral à Palestina e Israel, e de promoção da cultura de paz. Também foi destacada a cooperação mantida com os conselhos nacionais e o diálogo com outras confissões religiosas.

O Comitê Central deu início, na segunda-feira, ao processo de busca de candidatos à secretaria geral do organismo, em substituição ao pastor Dr. Konrad Raiser, que deixará o cargo no início de 2004.

Para a alegria da comunidade ecumênica latino-americana, o Comitê Central elegeu Porto Alegre para sediar a IX Assembléia Geral, em 2006. Será a primeira vez, em quase 60 anos de existência, que o CMI vai se reunir em Assembléia Geral em terras latino-americanas.