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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Para igrejas do CONIC reforma agrária é uma causa justa e necessária

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Agosto 18, 2006

Igrejas e movimentos sociais pretendem sinalizar, mais uma vez, a defesa da implantação da reforma Taxi Heathrow Airport agrária no Brasil. E vão fazê-lo no Seminário que se reunirá na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF), nesta capital, na segunda-feira, 21, sob o lema “Os pobres possuirão a terra”.

O lema foi emprestado de pronunciamento de bispos das Igrejas Anglicana, Católica e Metodista, de pastores sinodais da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) sobre a situação ambiental e pessoal nas áreas rurais do país, emitido em 27 de março passado. “A reforma agrária é uma causa nacional, ecumênica, justa e necessária, indispensável para a sobrevivência da nação brasileira”, enfatizaram as lideranças religiosas no documento.

Na avaliação da coordenadora nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), pastora metodista Nancy Cardoso Pereira, as questões pertinentes à implantação da reforma agrária dividem as próprias igrejas. Ela ressalta a existência de setores mais conservadores que tratam das questões relativas à propriedade a partir de uma perspectiva legalista. “Para este setor, o olhar da Bíblia como um livro camponês não interessa”, sublinha.

Por outro lado, anota a pastora, existem lideranças religiosas comprometidas com a luta pela reforma agrária e que interpretam a leitura de Êxodo como a luta do povo sem-terra pelo seu chão. “A Teologia da Libertação apropria-se desses textos como revelações de Deus para os pobres”, enfatiza.

Palestrante no encontro de Porto Alegre, Nancy fará exposição abordando o campo da teologia e da Bíblia a partir de uma leitura sobre o campesinato. O capesinato brasileiro sempre foi religioso, anotou Nancy Pereira, que acrescenta: a religião judaica cristã é a expressão da fé de um povo camponês.

Segundo o integrante da comissão regional da CPT, Luis Antônio Pasinato, o seminário ecumênico constituirá espaço de defesa de um modelo de agricultura sustentável, familiar e que respeita o protagonismo dos camponeses, bem como o reconhecimento das áreas remanescentes quilombolas.

As igrejas sempre se orientaram pelo bem comum e pelo direito de todos aos bens essenciais à vida, enfatizou Pasinato, que destacou o agronegócio, a concentração de terras e a monocultura como os maiores entraves para a efetiva implementação da reforma agrária no país.

O seminário ecumênico Igrejas e Reforma Agrária é uma realização da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Centro Ecumênico de Evangelização, Capacitação e Assessoria (CECA), Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Cáritas Brasileira Regional do Rio Grande do Sul, Pastorais Sociais e Paulinas.

Ministrarão palestras no encontro de Porto Alegre o coordenador nacional do Movimento Sem -Terra (MST), João Pedro Stédile, o pastor luterano Oneide Bobsin e o bispo católico Dom Orlando Dotti.