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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2003

Sua Santidade Aram I, moderador para uma etapa de crise no CMI [Foto: Peter Williams-CMI]
Sua Santidade Aram I, moderador para uma etapa de crise no CMI [Foto: Peter Williams-CMI]

Comitê Central deverá aprovar reivindicação dos ortodoxos

GENEBRA, Suiza, Agosto 29, 2002

O Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) recebeu, formalmente, o relatório da Comissão Taxi Heathrow Airport Especial que durante três anos estudou propostas das igrejas ortodoxas para a sua permanência como membros do organismo ecumênico internacional.

A Comissão, integrada por 30 ortodoxos e 30 representantes de outras igrejas, foi criada na Assembléia do CMI em Harare, Zimbabwe, reunida em 1998. Os ortodoxos objetaram, então, a estrutura e o modo como o organismo toma decisões, alegando que famílias religiosas minoritárias jamais conseguem aprovar suas proposições. Ameaçaram, inclusive, abandonar o CMI, se o assunto não fosse reavaliado.

As igrejas ortodoxas da Bulgária e da Georgia chegaram a se separar do CMI por esse motivo antes da assembléia de Harare. Os ortodoxos em geral criticam a prevalência da agenda de protestantes liberais no organismo e objetam a maneira de o CMI abordar certas questões sociais e éticas.

Temas como o culto em comum, a ordenação de mulheres ao ministério, opção sexual, liturgias consideradas "sincretistas" e a tomada de decisões do CMI em temas políticos e sociais alijam, assim entendem, os ortodoxos do organismo ecumênico.

O relatório final da Comissão propõe acordos sobre eclesiologia, o tratamento de questões sociais e éticas, o serviço do culto, e, em especial, o sistema de tomada de decisões. A Comissão aceitou o ponto de vista dos ortodoxos, segundo os quais o sistema parlamentar de votação condenava-os sempre a uma minoria e que seu pontos de vista não eram considerados.

A recomendação estabelece que as resoluções do CMI serão aprovadas por consenso, depois de ouvir todas as partes, e não por maioria simples. Adverte, ainda, que alguns temas, de cunho administrativos e financeiros, sejam resolvidos por votação.

Propõe também a constituição de um Comitê Permanente, formado por sete ortodoxos e sete integrantes de outras confissões, que dará seguimento ao cumprimento das decisões, e recomenda aos órgãos diretivos do CMI medidas para o aumento da participação dos ortodoxos na vida e atividades do organismo ecumênico.

Quanto ao culto em comum, foi ressaltada a importância que tem o movimento ecumênico mundial, reconhecendo, contudo, que é culto em comum "onde se sente com mais intensidade a dor da divisão dos cristãos". Paradoxalmente, os cristãos não podem compartilhar a mesa da comunhão por causa de diferenças doutrinais.

Quanto à adesão do CMI, foi lembrado que as solicitações de admissão sejam analisadas pelo Comitê Central e não mais pela Assembléia. Mas a Comissão recomendou que se restabeleça a condição de membro associado, com voz, mas sem voto, para determinadas igrejas, ao lado da condição de membro pleno.

No tocante às questões éticas, sociais e políticas, o documento assinala que a posição do CMI a respeito "deve basear-se no discernimento constante da vontade de Deus, expressada nas Escrituras e na Tradição, bem como na vida litúrgica e na reflexão teológica, pedindo a orientação do Espírito Santo". Adverte, contudo, que o Conselho não pode falar pelas igrejas e nem exigir que elas adotem uma determinada posição.

Quanto a demais aspectos eclesiológicos das propostas apresentadas, o documento sugere um estudo mais profundo pela Comissão de Fé e Ordem. A respeito das mudanças estruturais na organização do CMI, sugere a continuidade do exame das modificações requeridas no regulamento e na Constituição do organismo, para que as propostas sejam levadas e analisadas na próxima Assembléia, em 2006.

O documento dessa Comissão está sendo avaliado por outras quatro comissões, durante a reunião do Comitê Central do CMI, que está reunido em Genebra, de 26 de agosto a 3 de setembro. A previsão é que o documento seja aprovado pelo Comitê Central, uma vez que praticamente não houve objeções ao texto apresentado.