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Domingo, 11 de Novembro de 2007

Revmo. Martín Barahona, bispo da Igreja Anglicana de El Salvador.
Revmo. Martín Barahona, bispo da Igreja Anglicana de El Salvador.

Bispo anglicano justifica protestos, mas sem violência

Susana Barrera, SAN SALVADOR, El Salvador, Julho 5, 2006

 Imagens de um passado cruel voltam a abalar a sociedade salvadorenha. Nesta quarta-feira, confronto entre Taxi Heathrow Airport policiais e supostos estudantes universitários e alunos secundaristas que protestavam pelo aumento da passagem do ônibus deixaram um saldo de dois policiais mortos e mais de 20 pessoas feridas.

"A violência traz consigo mais violência e os protestos são legítimos porque são demandas pelo alto custo de vida.Devemos buscar soluções, mas sem violência", disse o bispo da Igreja Anglicana de El Salvador, Martín Barahona, diante dos fatos ocorridos na manhã desta quarta-feira na capital salvadorenha.

O confronto entre policiais e estudantes foi registrado nas cercanias da Universidade de El Salvador e do  hospital de crianças "Benjamín Bloom". As imagens, sem edição e ao vivo do enfrentamento, foram transmitidas pelas principais emissoras de televisão nacionais. Os estudantes reivindicavam o pagamento de meia passagem para o setor estudantil e a terceira idade.

O protesto tomou outro aspecto, hoje, quando um suposto estudante disparou com arma de guerra contra a polícia. Momentos depois, o contingente antimotins ficou a postos nas ruas adjacentes no local do incidente, enquanto helicópteros sobrevoavam a Universidade e franco-atiradores posicionavam-se no terraço do Hospital de Crianças.

Há poucos dias, o governo autorizou o aumento da passagem de ônibus. Anteriormente, o transporte na área urbana custava 23 centavos de dólar, em média. Agora, ela aumentou para 30 centavos de dólar. O transporte entre a zona urbana e a rural agora custa mais de um dólar e os efeitos do reajuste aumentam os custos de outros produtos.

"A situação econômica é difícil. Neste país muita gente sobrevive com menos de um dólar por dia, e isso também é violência", declarou indignado o bispo Barahona.

No dia 16 de janeiro de 1992, o governo de El Salvador e a guerrilha da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), através dos Acordos de Paz, puseram fim a 12 anos de uma cruel guerra civil, que deixou como saldo mais de 75 mil mortos e oito mil desaparecidos.

Para Barahona, também bispo primaz da Comunhão Anglicana na América Central, a situação de convulsão econômica e social que vive o país é um atentado contra os Acordos de Paz.

Reunião de líderes religiosos estava programada para hoje à tarde, quando se pronunciariam sobre a situação de violência. Os dois policiais mortos no confronto serão sepultados amanhã.