Rede de Mulheres pede ao governo que detenha onda de crimes
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Junho 28, 2006
A Rede de Mulheres contra a Violência, da cidade de Estelí, a 154 km ao Taxi Heathrow Airport norte de Manágua, pediu ao governo que detenha a onda de crimes contra mulheres e que reconheça a dramática situação como um problema de saúde pública. Em menos de dois meses foram assassinadas quatro mulheres na cidade.
A Rede anunciou marcha de protesto pelos fatos ocorridos e reclamaram atenção do governo às suas demandas "como um ponto prioritário". Também conclamaram empresas privadas a apoiarem ações de controle e segurança na localidade.
As quatro últimas vítimas de assassinato foram a professora Lucinda Rosa Videa, irmã do sacerdote católico Julio César Videa; Brenda Noelia García, que foi asfixiada por seu cônjuge Carlos Alberto Maradiaga Andino; Marjurie Sara Zeledón, também asfixiada pelo companheiro Edwin Antonio Aguilar, de 18 anos; e Adilcia Peralta, assassinada com arma de fogo por seu marido José Miguel Talavera.
O autor do crime da professora Videa, Oscar Danilo Ramírez, que se fazia passar por missionário católico, comparecerá perante a justiça na quinta-feira, 29 de junho, dia do professor nicaragüense.
Os estudantes do Instituto de Povo Novo, onde a vítima era diretora, farão homenagem póstuma nesse dia e marcha de protesto pedindo punição exemplar para o assassino.
O bispo da diocese de Estelí, Juan Abelardo Mata, celebrou missa, no dia 23, em memória da professora. "Embora os cristãos optem pelo perdão, nesse horrendo crime a misericórdia reclama todo o peso da lei", disse.
O religioso recordou a maneira como o assassino conseguiu enganar a Igreja e lamentou o desfecho fatal. Abelardo Mata chamou à responsabilidade paterna e materna para evitar que homens como Oscar Danilo Ramírez ajam dessa forma.
Enquanto Estelí clama por apoio para erradicar a violência doméstica e pede justiça, hoje foi anunciado que no Atlântico Norte três delinqüentes violaram uma menina de 11 anos.
A morte das quatro mulheres em Estelí relembra a onda de crimes verificada na Ciudad Juárez, México, onde nos últimos anos foram assassinadas dezenas de mulheres, e grande parte dos casos permanece sem solução.

Portada
Início