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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2002

Cipriani defende jogador processado por corrupção

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Agosto 28, 2002

O cardeal peruano Juan Luis Cipriani gerou uma onda de murmúrios em círculos eclesiásticos e Taxi Heathrow Airport políticos ao sair em defesa do jogador de futebol Héctor Chumpitaz, processado por corrupção, e propor a criação de comissão para avaliar a atuação do Poder Jurídico nesses assuntos. No domingo, Cipriani visitou Chumpitaz, que está sob prisão domiciliar, e disse-lhe que ele deveria ser desculpado de imediato.

"Há pessoas que podem ter um nível de compromisso muito grave(nos atos de corrupção sob o governo do ex-presidente Alberto Fujimori). Mas há outras que, por sua ingenuidade ou boa fé foram chantageadas", justificou o cardeal e arcebispo de Lima.

Em declarações à televisão, o cardeal defendeu a criação de comissão de pessoas de respeito que, à margem do aspecto jurídico, administre o indulto e o perdão com vistas à reconciliação em casos como o de Chumpitaz, famoso jogador de futebol no país, destaque da seleção.

O presidente da Conferência Episcopal do Peru e bispo da cidade portuária e industrial de Chimbote, Luis Bambarén, declarou, na segunda-feira, que a opinião de Cipriani é pessoal e não corresponde à posição da Igreja Católica. "Talvez a situação de Chumpitaz o tenha comovido e ele teve seu momento de fraqueza", acrescentou.

Cipriani criticou a Justiça peruana no seu conjunto, ao afirmar, na televisão, que "os grandes corruptores são agora os grandes juizes". Políticos e parlamentares de diversos setores também censuraram o arcebispo por suas declarações, alegando que nada deve interferir no trabalho da Justiça. O fiscal do juizado anticorrupção, Ronald Gamarra, assinalou que a proposta de Cipriani é um chamado à impunidade.

Não é a primeira vez que declarações do cardeal provocam fortes reações na opinião pública. No governo Fujimori, ele afirmou que a defesa dos Direitos Humanos era uma bobagem; também acusou os meios de comunicação, com o respaldo dos "traidores da igreja", de conspirarem contra ele.

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