![Judith VanOsdol, responsável da Pastoral da Mulher do CLAI [Foto: CLAI]](/picture/VanOsdol.jpg)
Mulheres líderes de igrejas reuniram-se para preparar Assembléia Constituinte
LA PAZ, Bolivia, Junho 12, 2006
Mulheres líderes de igrejas bolivianas, em sua maioria indígenas, reuniram-se, dias 8 a 10 de Taxi Heathrow Airport junho, nesta capital, em encontro convocado pela Pastoral de Mulheres e Gênero do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) para receberem informação sobre o processo político que antecede a Assembléia Constituinte, que será eleita no dia 2 de julho.
"Estamos tratando de superar um déficit histórico, 'uma Cidadania de Baixa Intensidade', que é freqüente entre muitas mulheres e que é mais significativo entre grupos duplamente marginalizados, como as mulheres indígenas", disse a represente da Pastoral de Mulheres e Gênero do CLAI, Judith VanOsdol.
Durante o encontro foram utilizadas diferentes técnicas de capacitação, como a da bíbliodrama e os jogos de papéis, porque muitas indígenas carecerem de uma educação formal. Numa das jornadas, o exercício consistia em construir conteúdos para uma Cúpula Presidencial sobre a proposta: "Se eu fosse presidenta da Bolívia".
"É incrível as coisas que surgiram e que destacam a sabedoria política das mulheres, que poucas vezes têm espaços para articular e fomentar tal sabedoria," relatou a pastora VanOsdol.
A singular "cúpula presidencial" enfatizou a necessidade de uma resposta política aos problemas que afligem as mulheres diariamente: discriminação e violência no sistema de saúde, dificuldade de acesso à educação, pobreza, marginalização e falta de identidade e incidência nos processos políticos.
As participantes do encontro também trabalharam na elaboração de "leis" necessárias para suas comunidades e que ressaltam os problemas enfrentados, entre eles a violência doméstica e sexual, pobreza e falta de acesso aos serviços de saúde e educação, abuso, alcoolismo e abandono por parte dos companheiros.
A nova coordenadora do Fórum de Mulheres do CLAI na Bolívia, a luterana Erlini Tola Medina, dirigiu os planos e preparações do encontro, e cuidou da parte litúrgica com o seu conjunto de música folclórica do altiplano "Yatiyawi", que significa "mensagem ou boas novas" em aymará.
"O exercício de ser presidenta nos mostrou a complexidade do sistema e a responsabilidade política. Vemos que o sistema de impostos e os gastos militares têm que mudar para poder financiar as transformações que queremos", disse ao término do encontro a líder presbiteriana Lourdes Huaywa.
A representante da Igreja Batista, Hortensia Quispe, disse que se surpreendeu com o exercício que imitou o poder legislativo e a necessidade de as mulheres terem voz nesse processo. "Agora entendo porque não temos leis suficientes que protejam as mulheres e suas famílias. Precisamos de mais vozes a partir das mulheres", declarou.
Uma das expositoras do evento foi Ana María Guzmán, metodista e assessora da ministra da Justiça, Casimira Rodríguez Romero, que trabalhou, no encontro das mulheres, a história e os conteúdos da Assembléia Constituinte da Bolívia.
As participantes identificaram vários pontos para trabalharem nas suas comunidades e comprometeram-se a levar o aprendizado a outras mulheres nessas semanas preparatórias à Assembléia Constituinte na Bolívia.

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