![Marcha de indígenas da província do Chaco. [Foto Indymedia.]](/picture/chaco.jpg)
Evangélicos pedem a governador que receba aborígenes
BUENOS AIRES, Argentina, Junho 9, 2006
Organizações eclesiásticas e de defesa dos direitos humanos pediram, nesta sexta-feira, ao governador da província Taxi Heathrow Airport argentina do Chaco, Roy Abelardo Nikisch, que atenda as reiteradas reivindicações das comunidades aborígenes, deslocadas de suas terras.
"Pedimos-lhe que os receba e escute como eles merecem e leve realmente em conta suas justificadas reclamações", diz um parágrafo da carta remetida a Nikisch pelo Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), o Serviço Mundial de Igrejas dos Estados Unidos (Região Cone Sul), a Federação Argentina de Igrejas Evangélicas (FAIE) e o Movimento Ecumênico pelos Direitos Humanos (MEDH).
Na terça-feira, 6, foi cancelada reunião com o governador, pois ele recusou-se a se reunir com 20 delegados de diferentes etnias, enquanto centenas de aborígenes reivindicavam do governo uma solução ao conflito de terras.
Os líderes ecumênicos expressaram preocupação, como igrejas evangélicas comprometidas no acompanhamento das comunidades aborígenes, diante da situação instalada nessa região a respeito da questão da terra e que mereceu numerosos protestos das populações afetadas, sem que, no entanto, fossem atendidas pela autoridade.
"A essa preocupação soma-se agora o conhecimento de que seus protestos (dos povos aborígenes) jamais foram atendidos, embora famílias inteiras tenham se mobilizado para expressar seu sentir e suas necessidades", alega a missiva.
Os representantes das organizações evangélicas e do MEDH assinalaram que não lhes cabe, "como povo branco, interpretar as necessidades dessas comunidades que estavam nessas terras antes que nossos antepassados descessem dos barcos", mas afirmaram que lhes compete reconhecer suas necessidades e sofrimentos.
"Cabe-nos escutar suas vozes e, a partir daí, atuar fazendo-lhes justiça, segundo o papel que a sociedade concedeu a cada um neste momento histórico", disseram.
A carta lembra que as reivindicações dos aborígenes têm a legitimidade da Constituição Nacional, que reconhece a pré-existência dos povos indígenas, seus direitos às terras que tradicionalmente ocuparam, à uma educação bilingüe intercultural, à sua própria língua e cultura, e à participação nas questões que os afetam.
"Entendemos que sua atitude e resposta ao clamor justo das comunidades aborígenes, além de facilitar o diálogo, será o primeiro passo na busca de soluções urgentes e imprescindíveis, imediatas como a longo prazo", finaliza a carta.

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