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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Migrantes constituem metade da população de Porto Alegre

Micael Vier B., PORTO ALEGRE, Brasil, Junho 9, 2006

 Dos 1,36 milhão de habitantes de Porto Alegre, 651 mil nasceram em outra cidade e Taxi Heathrow Airport se transferiram para a capital gaúcha em busca de melhores condições de trabalho e de vida, mostra pesquisa Fenômenos Migratórios em Cidades das Dioceses do Rio Grande do Sul, realizado pela Pastoral do Migrante. Da população migrante, 20 mil vieram de outros países.

Embora a pesquisa ainda esteja em fase de análise, ela mostra que a sociedade civil não percebe de forma clara o fenômeno migratório, confundindo migração com pobreza, destacou o padre João Corso, secretário executivo da Pastoral do Migrante de Porto Alegre. Embora fatores econômicos sejam a principal causa do deslocamento de pessoas de um local a outro, motivações culturais, políticas e profissionais também desencadeiam fenômenos migratórios.

Encomendada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a pesquisa abrangeu 56 municípios gaúchos, onde mais de 750 pessoas foram entrevistadas entre maio e julho de 2005. "Nós estamos agora no estágio operacional da pesquisa, pois ela não foi feita com o objetivo de simples estudo, mas por pessoas que querem agir na realidade migratória", enfatizou Corso.

A Pastoral acolhe o migrante e ajuda-o a se documentar, oferece assistência jurídica, econômica e cultural. Ela orienta os estrangeiros sobre a legislação brasileira, que, na definição de Corso é "restritiva", a respeito da naturalização e concessão de vistos.

"Todos os países do mundo estão se protegendo dos migrantes, pois o encontro entre diferentes culturas é um processo bastante delicado", sublinhou. O religioso lembrou que o espírito que mobiliza as pastorais migratórias é a gratuidade e o desejo de ajudar as pessoas a se realizarem no novo ambiente que escolheram para viver.

A cada último domingo do mês a Catedral de Porto Alegre acolhe a Missa do Migrante, que tem como objetivo integrar pessoas de diferentes culturas e denominações religiosas numa só voz. "Essa celebração mostra que em todas as línguas e em todas as culturas está presente uma só humanidade", disse Corso.