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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2003

Konrad Raiser, secretário geral do CMI [Foto: Peter Williams - CMI]
Konrad Raiser, secretário geral do CMI [Foto: Peter Williams - CMI]

Moderador e secretário geral do CMI analisam efeitos da globalização

GENEBRA, Suiza, Agosto 26, 2002

Os efeitos da globalização sobre a Igreja e a missão foram objeto de análise tanto Taxi Heathrow Airport do secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor Konrad Raiser, como do moderador, Aram I. Os dois apresentaram relatórios no primeiro dia de sessões do Comitê Central do organismo ecumênico, reunido em Genebra de 26 de agosto a 3 de setembro.

Raiser disse para os 158 integrantes do Comitê Central que os ataques do dia 11 de setembro do ano passado e os fatos conseqüentes mostraram a urgência do problema introduzido pela mundialização da economia e a busca de uma visão ecumênica alternativa.

Embora seja simplista estabelecer uma relação de causa e efeito entre a globalização e o surgimento do terrorismo internacional, ficou claro o potencial de violência estrutural inerente à lógica do poder que entranha a mundialização econômica.

Esses fatos colocaram o mundo e as igrejas diante de graves e inesperadas situações. A segurança passou a ser a principal preocupação dos governos e da população.

Em nome da segurança ficaram de lado normas de direitos humanos reconhecidas nacional e internacionalmente, o direito internacional caiu na vala da omissão e passou-se a aceitar a utilização da força militar como meio legítimo para a execução de fins políticos, arrolou Raiser.

As igrejas, disse, estão profundamente divididas se devem ou não apoiar as intervenções militares no contexto da "guerra ao terrorismo". Sem qualquer margem de dúvida, a Década para a Superação da Violência, declarado pelo CMI, é hoje mais urgente do que há 19 meses, afirmou.

As igrejas, deduziu, já não têm uma postura tão clara como antes quanto à necessidade de dar testemunho em favor da paz e da reconciliação.O debate ecumênico sempre deu uma importância central à afirmação inspirada na Bíblia de que existe um vínculo indissolúvel entre a paz e a justiça, frisou.

Precisamente nessas relações é que repercute com maior agudeza a mundialização, ao submeter todas as relações e as interações da sociedade à lógica economicista do mercado; ou seja, ao cálculo dos custos e dos benefícios.

A mundialização econômica expôs centenas de milhões de pessoas a uma situação de vulnerabilidade extrema ao privá-las do que precisam para satisfazer suas necessidades vitais básicas, ressaltou Raiser.

A violência, em suas múltiplas formas, condena mais e mais pessoas a serem vítimas de forças poderosas que não podem controlar. Esse sentimento generalizado de estar condenado à condição de vítimas é explorado, por sua vez, por quem comete atos de terrorismo.

Já o Católicos da Igreja Apostólica Armênia, Aram I, disse que a mundialização é "um processo irreversível que nos afeta constantemente". Ele reportou-se à Assembléia de Harare, que declarou: "Embora a globalização seja um fato inevitável, não devemos submeter-nos à visão de concorrência que traz embutida". Na compreensão de Aram I, "precisamos adotar uma atitude de realismo crítico e buscar uma resposta baseada numa perspectiva de fé".

Por conseguinte, toda resposta ecumênica à mundialização deve começar por uma reflexão sobre eclesiologia, quer dizer, sobre "ser Igreja" no contexto do mundo atual.Nessa perspectiva, tanto Raiser como Aram I chamaram a atenção para o estudo da Comissão de Fé e Constituição a respeito da "Natureza e finalidade da Igreja", que será debatido amanhã.

Raiser indicou que as outras duas sessões plenárias propostas para essa reunião do Comitê, a saber, a plenária regional sobre a Ásia, amanhã à tarde, e a plenária que enfocará o Estudo Ecumênico sobre o Racismo, estão centradas, embora de maneira distinta, nessas questões de eclesiologia e não no que significa ser Igreja.

O debate a respeito do informe da Comissão Especial sobre a participação dos ortodoxos no CMI, que será discutido na quinta-feira pela manhã, vai dar um fim adequado às reflexões sobre esse tema do "ser Igreja", destacou o secretário geral.

Aram I disse que a mundialização está impondo novas formas de "ser Igreja", que influencia inclusive como a Igreja se autocompreende. Não se trata do que se constitui a Igreja, mas antes de como viver a fé frente a mundialização, do que significa "ser Igreja" numa sociedade sem barreiras.

"A mundialização questiona a estreiteza de nossas perspectivas eclesiológicas, e nos insta a levar a cabo um exame exaustivo e crítico de nossa autocompreensão eclesiológica", disse.