
Seus faróis estão queimados
, MARINGÁ, Brasil, Maio 26, 2006
Você já assistiu aqueles filmes em que uma pessoa recebe o sinal para parar e Taxi Heathrow Airport quando pára, um policial “cheio de autoridade”, a manda descer do carro; vai para frente do veículo e diz: “Vou ter que multá-lo por estar trafegando com os faróis queimados”. A pessoa confusa, responde: “Como? Os faróis estão perfeitos! Eles decididamente não estão queima-dos.”
Então a câmara dirige o foco para a cara de canalha do policial que, calmamente, tira o cacete do cinto, começa a esfregá-lo entre as mãos e, de repente, o arremessa com toda ira contra os faróis, fazendo tudo virar pó. Na próxima fala da cena ele diz: “Agora estão”.
O que fazer diante de atitudes como estas? Pergunta o expectador aflito, colocando-se no lugar do protagonista indefeso.
Nesse mundo há os que frequentemente se iludem com a idéia de que isso só acontece nos filmes. O velho e forte conformismo faci-mente apossa-se dos indivíduos e muitas vezes ajuda-se a encobrir os canalhas desse mundo.
Quantas vezes você já teve os faróis quebrados? Quantas vezes a justiça foi feita?
É a arte que imita a vida e não o contrário.
Sadam Hussein teve os faróis quebrados e os expectadores desse filme real puderam assistir ao desfecho da trama que custou a vida de muitos inocentes.
Hussein não é e nem nunca foi santo. Isso todo mundo sabia. Mas só muito depois os americanos começam a reconhecer que a elite dos capangas de Bush, forjaram as provas das armas de destruição em massa.
Em outras palavras, os “policiais” de Bush fizeram o trabalho sujo para que o seu presidente pudesse posar de bom moço para a nação e para o mundo e, ao mesmo tempo, pudesse legitimar a gana de brincar de Deus e de mostrar quem é que manda, quem é que está no controle.
Dirigentes da estirpe de Bush estão por toda a parte. Eles usam os menos dotados de crítica, os menos dotados de ética, os menos dotados de senso de justiça; manipulando-os para que coloquem as mãos na lama em seu lugar.
Muitas vezes, os “quebradores de faróis” são até boas pessoas, po-rém, de personalidade fraca que não conseguem dizer não.
Outros são apenas pobres diabos, encantados e seduzidos por “um” de mais poder, “um totalmente, outro”, segundo a definição de Rudolf Otto, em sua obra O Sagrado.
Enquanto houver indivíduos que prontamente colaboram com os canalhas, eles continuarão a usá-los como capangas para quebrar os faróis dos desavisados, dos in-defesos; das pessoas de bem.
Consecutivamente, os omissos, aqueles que se negam a denunciar as falcatruas e injustiças, cada vez mais visíveis nos espaços priva-dos e públicos da sociedade, aca-bam, mesmo que inadvertidamen-te, colaborando para a manuten-ção de um exército de “quebrado-res de faróis”. Até serem surpre-endidos com a fatídica frase: “Os seus faróis estão queimados”.
Pois, na vida real, esse dia sempre chega.
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Maria Newnum é pedagoga, mestre em teologia prática, vice-presidente do Movimento Ecumênico de Marin-gá e Conselheira no Conselho Muni-cipal da Mulher de Maringá.
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