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Sábado, 28 de Setembro de 2002

O anúncio do evangelho é a razão de ser da Igreja, diz Gutiérrez

SAN JOSÉ, Costa Rica, Agosto 26, 2002

Como dizer ao maltratado, ao oprimido e marginalizado que Deus o ama? Essa foi a Taxi Heathrow Airport pergunta que a Teologia da Libertação se fez nos primórdios e que segue atual nos dias de hoje. O propósito fundamental da Igreja é anunciar o amor de Deus, frisou o teólogo peruano Gustavo Gutiérrez.

Essa é a mensagem central da Teologia da Libertação, segundo o teólogo que é considerado o pai da mesma. Todo o demais são variações dessa verdade fundamental do evangelho. Em tom coloquial, Gutiérrez falou para cerca de 60 pessoas, entre professores, estudantes e convidados da Universidade Bíblica Latino-Americana, em sua sede de Cedros de Montes de Oca, na cidade de São José da Costa Rica.

Nas propostas originais da Teologia da Libertação há assuntos centrais que mantêm o seu vigor, apontou Gutiérrez. Em primeiro lugar, a situação do continente estabeleceu uma nova presença ou irrupção dos pobres. Essa é uma presença conflitante, que representa um enorme desafio à tarefa missionária da Igreja. É preciso encontrar uma maneira pertinente de falar acerca do amor de Deus, "e nossa teologia comprometeu-se com essa busca", disse.

Em segundo lugar, arrolou, a Teologia da Libertação perscrutou o significado dos pobres e a partir de que perspectiva devia falar-se deles. Essa questão fazia referência, em concreto, às pessoas pobres, e não apenas à pobreza como uma abstração sociológica. Era necessário definir o ponto de vista ou o "mirante" a partir do qual a Igreja leria a realidade dos pobres. "Nosso mirante era, e continua sendo, a evangelização; a partir dela concebe-se o nosso compromisso com os `deserdados deste mundo'".

O terceiro assunto chave na origem da Teologia da Libertação e que mantém plena vigência é a pergunta: "O que é fazer teologia?" Essa pergunta aponta para o estatuto epistemológico que deve reger os afazeres teológicos da Igreja. A teologia, indicou Gutiérrez, repetindo o que vem dizendo desde 1971, "é uma reflexão sobre a prática da vida cristã, na qual se unem a prática contemplativa e o compromisso histórico, ou seja, o amor a Deus e o amor ao próximo". Nesse sentido, acrescentou, a teologia é "ato segundo", cujo ponto de partida é a vida do cristão na história.

Essa breve, embora rica exposição, foi seguida de diálogo aberto com os presentes, enfocando temas diversos. Gutiérrez expressou, então, sua profunda vocação pastoral e a paixão missionária que alimenta todo o seu trabalho teológico. Contou que distribui 80% do seu tempo ao trabalho pastoral e apenas 20% à reflexão teológica formal ou acadêmica. E acrescentou: "somente agora, aos 74 anos, e quando se supõe que alcançamos a idade em que se deve jubilar, fui nomeado, pela primeira vez e de maneira oficial, professor de teologia".

O que importa, frisou, e chame-se a isso de Teologia da Libertação ou o que parecer melhor, é o compromisso cristão com todos os seres humanos, começando com os mais desprezados. Agora, os pobres e marginalizados pertencem à mensagem do evangelho de Jesus Cristo; "e esta, sem dúvida, será para mim sempre a mais importante", afiançou.

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