Voltar ao início

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Globalização ameaça destruir a essência humanística

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Maio 5, 2006

O ex-presidente da Costa Rica, Rodrigo Carazo Odio, pediu aos países latino-americanos para que rechacem Taxi Heathrow Airport a globalização, pois ela é privatizante, promotora de desigualdade, de exclusão, e destruidora do humanismo, e convocou-os a reconhecer em suas próprias fortalezas as vias genuínas do desenvolvimento.

"É urgente rechaçar as teses impostas a partir de fora, que questionam tudo o que é nosso por sua baixa qualidade, e que  portanto, devemos descartá-lo e adotar, em troca, tudo o que nos indique e ordene", disse Carazo Odio em conferência que ministrou, hoje, para mais de cem pastores e líderes evangélicos.

De visita a Manágua desde o dia 29 de abril, Carazo pediu aos povos da região que não se deixem levar por promessas de políticos e suas receitas "gastas", após advertir que a democracia "se pratica com fatos concretos e não com palavras ocas".

O ex-presidente, que governou a República da Costa Rica de 1978 a 1982, definiu a globalização dizendo basear-se em princípios de privatização e exploração dos bens comuns por gigantescas corporações, "cujos funcionários estão totalmente fora de qualquer ação democrática", contrapondo-a com o que chamou de globalismo, que busca conservar os bens comuns.

O globalismo procura conservar a camada de ozônio, os oceanos e as diferenças genéticas para o melhoramento e benefício perpétuo da humanidade, mas a globalização exige a estandardização e homogeneização de todas as coisas e de todo ser humano, disse o ex-presidente Rodrigo Carazo.

Ele destacou que os abusos da globalização levam à ameaça de destruição da essência humanística. A moradia precária, a concentração da terra e do dinheiro em poucas mãos, o desemprego, a falta de segurança por causa do crescimento do crime gerado pela globalização fazem com que a cada dia aumente a diferença entre os que têm e os que não têm, disse.

Carazo explicou que neste terreno desigual e violento os vencedores isolam-se dos perdedores, como se vê hoje nos deslocados de um país a outro e nas manifestações racistas e fundamentalistas que rompem a  paz nas mais diversas nações da terra.

O ex-presidente sustentou que a globalização destrói todo o espírito de amor entre os seres humanos, fazendo desaparecer a preocupação pela sorte comum e a cooperação global, gerando debilidades econômicas e sociais.