
Garotinho recebe soro caseiro no quinto dia da greve de fome
RIO DE JANEIRO, Brasil, Maio 5, 2006
Com 3,9 quilos a menos e apresentando sinais de fraqueza e tontura, o ex-governador do Taxi Heathrow Airport Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, entrou, hoje, no quinto dia da greve de fome ingerindo soro caseiro para se hidratar. Ele tem a compreensão da família, embora os filhos, genro, netos e a mulher dele estejam sofrendo com essa medida radical que adotou.
"Estou bastante sofrida. Não agüento ver meus filhos sofrendo. Agora, não vamos condená-lo, porque ele tem uma causa justa", declarou a governadora do Rio, Rosinha Matheus, esposa do pré-candidato do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) à presidência da República. Garotinho aparece nas pesquisas com 15% das intenções de voto.
Rosinha Matheus concedeu entrevista, hoje de manhã, ao programa "Atualidade", da Rádio Gaúcha de Porto Alegre, quando disse que Garotinho não teve outra alternativa, a não ser chamar a atenção dessa forma, para responder às "mentiras" e perseguição da imprensa, e de fazer frente aos poderosos que não o querem candidato à presidência da República.
"O presidente Lula, para se reeleger, precisa do PMDB. Só que o país precisa se livrar das garras do Lula", disse a governadora do Rio. Rosinha Matheus revelou que as razões que levaram Garotinho à greve de fome foram discutidas pela família, integrada por nove filhos, dois netos e pelo genro. "Eu mesma não concordei com a greve de fome, mas existe diferença em condená-lo", admitiu.
A governadora do Rio reportou-se à greve de fome empreendida por grandes líderes, como o pacifista indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) e o líder político sul-africano Nelson Mandela, e que não foram ridicularizados por isso. Ela disse desconhecer outro político brasileiro que tenha sofrido tal grau de perseguição nos últimos anos como o seu marido vem sofrendo.
Garotinho cobra o mesmo espaço que veículos de imprensa usaram para acusá-lo de favorecimento a doadores de recursos para a campanha e pede a presença de observadores internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), no acompanhamento do processo eleitoral brasileiro.
Deputados que apóiam Garotinho escreveram carta pedindo que ele cancele a greve de fome e lute pela sua candidatura na convenção do PMDB, marcada para o domingo, 13 de maio. "Precisamos dele de pé, queremos que ele aceite o nosso apelo e lute para conseguir ser o candidato do PMDB", argumentaram.
Uma comissão de deputados viajou a Washington para um encontro com a comissão política da OEA, a fim de explicar pessoalmente os motivos que levaram Garotinho a pedir uma verificação externa das eleições. Segundo O Estado de São Paulo on line, a OEA entendeu que a carta enviada por Garotinho não continha fundamento que justificasse o envio de observadores internacionais.
O PMDB está dividido em pelo menos três direções: há os que preferem indicar o vice-presidente na chapa do presidente Lula, os que pretendem se coligar com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de oposição, e os que defendem uma candidatura própria à presidência da República. Entre os defensores dessa última alternativa ainda existem aqueles que preferem outro candidato na disputa, que não seja Garotinho.

Portada
Início
Comenta este artigo