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Quarta-feira, 17 de Maio de 2006

Garotinho, pré-candidato do PMDB à presidência da República anunciou a greve de fome, por tempo indeterminado, em protesto contra a “campanha mentirosa” que tenta atingir a sua honra.
Garotinho, pré-candidato do PMDB à presidência da República anunciou a greve de fome, por tempo indeterminado, em protesto contra a “campanha mentirosa” que tenta atingir a sua honra.

Presidente do PMDB pede que Garotinho termine greve de fome

RIO DE JANEIRO, Brasil, Maio 3, 2006

O presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), deputado Michel Temer, telefonou ao ex-governador Taxi Heathrow Airport do Rio e pré-candidato à presidência da República, Anthony Garotinho, apelando que ele encerrasse a greve de fome iniciada no domingo.

Ao lado da esposa, a governadora Rosinha Garotinho, do Rio de Janeiro, o pré-candidato do PMDB à presidência da República anunciou a greve de fome, por tempo indeterminado, em protesto contra a “campanha mentirosa” que tenta atingir a honra do político, desconstruir a imagem de homem público e ridicularizar suas posições éticas e cristãs, como informa o sítio “Garotinho, fé no Brasil”.

Garotinho impõe duas condições para encerrar a greve de fome: que veículos de comunicação que, segundo diz, o caluniaram, cedam o mesmo espaço para que ele possa se defender, e que seja instituída uma supervisão internacional no processo político-eleitoral brasileiro, assegurando igualdade de tratamento a todos os candidatos.

O ex-governador do Rio acusa as Organizações Globo, detentoras de veículos de comunicação e de rede de televisão e de rádio, de estar a serviço do capital financeiro e “a soldo do governo Lula”. Garotinho disse que remeteu documentos à Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciando a aliança da Globo com o presidente Lula.

O jornal O Globo, de quinta-feira, 27 de abril, denunciou que ONGs integradas por sócios de três das quatro empresas que doaram dinheiro para a pré-campanha de Garotinho à presidência receberam 112,5 milhões de reais do governo do Rio, de 2003 até esta data, sem qualquer licitação, através da Fundação Escola do Serviço Público (Fesp).

A revista Veja desta semana informou que o pré-candidato do PMDB fez campanha pelo país num jatinho pertencente ao ex-policial civil João Arcanjo Ribeiro, preso por suposto envolvimento com o crime organizado. Garotinho explicou, no sítio na internet, que locou o avião de empresa de táxi aéreo, que opera a aeronave por decisão judicial.

Em carta à nação brasileira, Garotinho sustenta que não fez nada fora da lei e que não tem nada a esconder. “Por isso, não posso me calar vendo ser preparada uma eleição de cartas marcadas a fim de manter os privilégios dos poderosos”, declarou.

O deputado Michel Temer enfatizou que o partido não tem nada a ver com a greve de fome, pois foi uma decisão pessoal. Companheiros de partido alegam que Garotinho responda às críticas. A greve de fome caiu mal na opinião pública e na imprensa, que ridiculariza a atitude do ex-governador do Rio.

O pastor da 2. Igreja Presbiteriana de Porto Alegre, Osias Correia, da mesma denominação que Garotinho, disse para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, que a melhor maneira de revolver a questão seria o ex-governador do Rio se defender. Afirmou, ainda, que não apóia greve de fome “para esse tipo de coisa. O pessoal está tratando com muita chacota essa questão”.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, alegou que é uma “falta de maturidade absoluta alguém que se coloca como candidato a presidente fazer greve de fome”. Calheiros é da ala do partido que apóia a reeleição do presidente Lula, o que implicaria que o PMDB não teria candidato à presidência da República na eleição de outubro.

O quadro político do PMDB é complicadíssimo. Garotinho disputou uma prévia com o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, para ver quem dos dois sairia candidato pelo partido à presidência da República. Embora Rigotto tivesse feito mais votos, Garotinho venceu a disputa por causa de fórmula aplicada pelo partido na contagem dos votos.

Mas a prévia não significa ainda que Garotinho é o candidato oficial do PMDB, que terá convenção no domingo, 13 de maio, para tentar definir se disputará o pleito de outubro ou apoiará o presidente Lula para a reeleição. Garotinho tem, hoje, 15% das intenções de voto para presidente da República.

De acordo com boletim médico, em três dias de greve de fome Garotinho perdeu 2,3 quilos, dos quase 90 que pesava, e seu quadro clínico é estável.