Povos originários da região do Chaco denunciam invasão de terras
BUENOS AIRES, Argentina, Abril 21, 2006
Povos originários da região do Grande Chaco, que engloba partes da Argentina, Paraguai e Bolívia, denunciaram ontem uma nova e forte invasão de seus territórios por parte de grandes corporações, e disseram que os governos desses países nada fazem para detê-las.
Por isso, líderes desses povos demandaram a regularização e titulação definitiva das terras, respeito à cultura e dignidade, efetiva aplicação das leis nacionais que reconhecem os seus direitos territoriais, e pediram que os governos dos três países "detenham as grandes corporações empresariais que produzem a contaminação e o desastre ecológico".
Na petição que os povos do Chaco remeteram aos governos les alegaram que sentem-se intrusos em suas próprias terras e denunciaram o desalojamento de muitas comunidades, que agora vivem na periferia. "A situação está insustentável", argumentaram.
Cerca de 50 dirigentes indígenas de comunidades do norte da Argentina e do sul da Bolívia e do Paraguai, entre eles representantes dos povos wichi, toba qom, moqoit, pilagá, guarani, ava guarani, sanapaná e enxet, reuniram-se, dia 19 e 20 de abril, no Instituto Superior Evangélico de Estudos Teológicos (Isedet) e na Cáritas, em Buenos Aires, com o apoio do Serviço Mundial de Igrejas (CWS, a sigla em inglês).
A região do Chaco, segundo os líderes indígenas, sofre as conseqüências de um modelo econômico "depredador e de exploração dos recursos naturais, com um caráter extrativo". Lá estão sendo aplicadas técnicas de produção inapropriadas ao ecossistema, "sem considerar as práticas de manejo e aproveitamento dos bens naturais que os povos originários detêm".
Os representantes dos povos do Chaco acusaram os governos de enganá-los com promessas de títulos que nunca chegam, enquanto suas terras continuam sendo vendidas para grandes corporações e os moradores originários da região sofrem ameaças de despejo.
"Nossos direitos estão sendo esquecidos, desconhecidos, ignorados, violados por governos e por particulares. Nossas culturas estão sendo submetidas, discriminadas e excluídas. Nossas comunidades e territórios continuam sendo dominados, saqueados e destruídos por grandes empresas que investem muito dinheiro e levam para si muito mais", arrolam na petição.
As empresas privadas assentadas na região, que se dedicam ao cultivo de soja transgênica e os engenhos de açúcar "queimam nossos bosques, as serrarias levam as madeiras e as corporações petroleiras levam o petróleo e o gás", apontaram.
O desastre ambiental da região descrito pelos povos indígenas inclui a contaminação por petróleo, substâncias químicas jogadas de aviões e pelo resíduo das mineradoras. "Os rios vão sendo despovoados de peixes por causa dos despojos, provocando graves inundações, como a que o Tartagal e outras regiões do Chaco estão sofrendo".
No encontro em Buenos Aires os líderes indígenas do Chaco foram acompanhados por representantes da Equipe Nacional da Pastoral Aborígene (Endepa), Junta Unida de Missões (Jum), Fundação para o Desenvolvimento em Justiça e Paz (Fundapaz), da Argentina, do Centro de Estudos Regionais de Tarija (Cer-Det), da Bolívia, e do Comitê de Igrejas para a Ajuda de Emergência (Cipae), do Paraguai.

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