
Lay denuncia fraude na contagem eleitoral
LIMA, Perú, Abril 20, 2006
O pastor evangélico Humberto Lay, líder da Restauração Nacional (RN), que surpreendeu nas eleições do Taxi Heathrow Airport domingo, 9 de abril, ao atingir o sexto lugar na votação, denunciou que o partido corre o risco de não ter representação no Congresso por suposta mudança de números na contagem oficial dos votos.
Lay disse que tais modificações estariam sendo introduzidas por digitadores do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Essa situação estaria ocorrendo de modo especial em Callao, porto vizinho da capital federal, mas também em outras regiões do país.
"Informaram-nos de coisas que realmente preocupam, como que tivesse existido uma mudança de pessoal da ONPE, especialmente em Callao, e que depois dessa mudança viriam também as modificações nos dados", denunciou, "Isso preocupa, estamos pesquisando o assunto e procurando provas", agregou o líder da RN a uma emissora local.
O pastor Lay obteve 4.37% dos votos na eleição presidencial, mas sua lista de congressistas ainda não supera o obstáculo eleitoral de 4% e não tem assegurada a eleição de cinco representantes em pelo menos duas circunscrições eleitorais. A RN está lutando voto a voto com o partido Peru Possível, no poder, para ter representação no Congresso.
O líder da RN queixou-se porque em pouco tempo o partido passou de uma "boa posição" na escolha de congressistas ao risco de ficar fora de corrida eleitoral. Assegurou que recebeu relatos das votações em Callao e Loreto, "onde também estávamos em muito boa posição, e, de repente, em duas horas, o resultado beneficia outro partido", criticou.
Lay anunciou que seu partido espera conversar com os candidatos que disputarão o segundo turno com Ollanta Humala, a advogada Lourdes Flores, do conservador Unidade Nacional, e o ex-presidente Alan García, do partido de centro PARA, para discutir algumas preocupações.
Frente às versões do candidato nacionalista Humala, que acusa os setores conservadores e a imprensa de formarem uma frente política contra ele, Lay disse que não o atrai muito integrar um bloco com essa finalidade, e que não seria incômodo dialogar com Humala. "Na política é preciso tratar com todos", frisou.

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