![Carlos Ramos, coordenador da consulta sobre igualdade religiosa [Foto: M. Quintero]](/picture/Ramos.jpg)
Ano eleitoral
Carlos Ramos, QUITO, Ecuador, Março 20, 2006
Para muitos países da América Latina, 2006 é um ano eleitoral, de maneira particular para Taxi Heathrow Airport a região andina. Bolívia e Chile já elegeram presidente da República e novos parlamentos. Logo o farão Colômbia e Peru, e no mês de outubro será a vez do Equador.
Os temas de campanha ganham relevo segundo a história de cada povo: na Bolívia, a Constituinte e a autonomia; no Chile, a manutençãi da rota do progresso com governos do Acordo; na Colômbia, a luta contra a guerrilha e o narcotráfico; no Peru, a luta contra a corrupção; e no Equador, a oposição ao Tratado de Livre Comércio (TLC).
Um segundo elemento que permite entender a onda de desemprego, greves, mobilizações, boicote aos campos petrolíferos e outras convulsões que afligem o Equador desde o início deste ano pode estar na debilidade do governo presidido pelo Dr. Alfredo Palacio, que ocupa essa função desde abril de 2005, quando a população da capital, Quito, destituiu o então governante, coronel Lucio Gutierrez.
Em um ano de governo do médico gualquileno desfilaram pelo Ministério do Interior, encarregado pela política e ordem interna, cinco ministros, o que evidência a fragilidade política do atual governo. Três ministros ocuparam a pasta da Economia, e em quase todos os outros ministérios passaram dois ou três ministros, mostrando, assim, a instabilidade que impede qualquer ação séria de uma empresa pequena, não digamos do Estado.
Um terceiro fator é necessário considerar para a análise. Na medida em que o governo central perde força, presença, capacidade de gestão e baixa a popularidade do presidente da República, ganham aceitação popular os governos locais, os prefeitos de todas as cidades, que, por sua boa gestão na administração dos recursos públicos e realização de obras físicas, ganharam o respeito e apreço de seus concidadãos.
O caso mais evidente é o da cidade de Guayaquil, que, com seus quase três milhões de habitantes, experimentou nos últimos dez anos mudanças tão grandes em sua arquitetura, ornamentação e atrativos turísticos, que merece os elogios daqueles que a visitam e o reconhecimento dos prefeitos social-cristãos que a administraram.
Frente a um governo débil como o do Dr. Palacio, os governos seccionais solicitam fundos a ele para obras públicas que desejam efetuar, conste no planejamento ou não, e para conseguí-lo o melhor recurso é propiciar greves lideradas pelas próprias autoridades, como prefeitos e governadores, que terminam sempre conseguindo o que solicitam, somando milhões e milhões de dólares que o governo central compromete-se de entregar aos governantes.
Finalmente, vem o fator movimento indígena, que desempenhou papel decisivo em jornadas políticas anteriores e que teve sua participação muito diminuída no governo do coronel Lucio Gutierrez. Agora, o movimento pretende retomar força, apesar das divisões que os afetam de maneira profunda.
Os indígenas bloquearam estradas com a colocação de obstáculos em setores rurais nos quais a presença policial ou militar é difícil, tanto que um número relativamente pequeno de camponeses deixa muitas cidades do país incomunicáveis.
Às divisões internas da antes poderosa Conaie, a organização indígena mais representativa do país, soma-se a proposta política dos indígenas evangélicos aglutinados na Feine e que boicota toda ação que Conaie proponha.
No entanto, o fator de maior relevância para entender a dinâmica equatoriana é ambiente eleitoral vigente, no qual competem como pré-candidatos nada menos do que 16 pessoas para todos os gostos e sabores, a maioria deles com posições e discursos claramente populistas, que encaram o próximo processo eleitoral não como uma oportunidade para que o país prospere, mas como oportunidade para que o respectivo grupo alcance o poder.
Nessa ampla variedade de candidatos não podia faltar um evangélico, o pastor guaiaquileno Yunda, que diz contar com o apoio do povo evangélico - que no país já somam mais de 12%. No entanto, do discurso evangélico de Yunda, o certo é que corre a mesma sorte de seu homólogo peruano Lay: nenhum deles aparece na pesquisa de preferência eleitoral e não somam sequer 5 % das intenções de votos.
----------
Dr. Carlos Ramos Ampudia, advogado, professor universitário das cátedras Direito Constitucional e Teologia Contemporânea, na Universidade Cristã Latino-Americana.

Portada
Início
Comenta este artigo