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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Anna Turley, coordenadora do Programa de Mulheres da WACC. [Foto: news.live.visionwt.com]
Anna Turley, coordenadora do Programa de Mulheres da WACC. [Foto: news.live.visionwt.com]

Quem aparece nas notícias?

Entrevista: , LONDRES, Gran Bretaña, Março 9, 2006

A coordenadora do Programa da Mulher na Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC), a Taxi Heathrow Airport britânica Anna Turley, responde, via correio eletrônico, questionário sobre resultados do Projeto Global de Monitoramento da Mídia (GMM, a sigla em inglês), coordenado pela WACC.

A investigação, realizada por Margaret Gallagher, indica que as mulheres estão marginalizadas nos meios de comunicação no mundo. Maiores informações em: https://news.live.visionwt.com/who_makes_the_news/report_2005

ALC - Como e quando surgiu a idéia do monitoramento?

A idéia de um estudo sobre a presença de mulheres e homens nos meios noticiosos em escala mundial foi concebida na conferência internacional "Mulheres empoderando a comunicação", realizada em Bangkok, em 1994, e organizada pela WACC em conjunto com outras duas redes internacionais sobre gênero.

A inspiração para o Projeto Global de Monitoramento dos Meios (GMMP) foi  proporcionar dados sólidos que não se podem valorar para abrir discussões criativas com profissionais dos meios sobre as rotinas e práticas da produção midiática. Sobre como decisões jornalísticas particulares ocasionam padrões específicos de desequilíbrio em questões de gênero, e sobre como eleições e enfoques alternativos podem levar a um retrato de gênero mais eqüitativo e balançado.

ALC - Quais resultados te impressionaram mais?

O que mais chama atenção nos resultados do relatório "Quem aparece nas notícias?" é o pouco que mudaram as coisas desde a realização do primeiro GMPP, em 1995.

As mulheres constituem 52% da população mundial, mas em 1995 as mulheres representavam somente 17% das matérias noticiosas. Dez anos depois, em 2005, esse índice só aumentou para 21%.

Ainda que tenha havido um aumento sustentado na percentagem de peças noticiosas reportadas por mulheres, de 28%, em 1995, para 37%, em 2005, o relatório "Quem figura nas as notícias?" mostra que as mulheres jornalistas continuam relegadas aos tópicos noticiosos "suaves", tais como notícias sobre espetáculos e celebridades.

As repórteres só predominam em dois tópicos: relatórios do tempo na TV e rádio (52%), e histórias sobre pobreza, moradia e bem-estar (51%).

ALC - Embora, imagino, os resultados tenham sido mais ou menos os mesmos nos 75 países onde o monitoramento foi realizado, há alguma particularidade nos números da América Latina?

Ante o fato inevitável de que só uma minoria de pessoas nas notícias são mulheres - com, surpreendentemente, pouca variação de um país  ao outro -, jornalistas, produtores e formuladores de políticas midiáticas costumam demonstrar surpresa, senão comoção. Desde o Azerbaidjão até o  Zimbábue há pouca variação nos dados.

A América Latina está acima da média global de 21% em termos de matérias noticiosas femininas. No Caribe e na América Latina há uma alta proporção de mulheres em histórias sobre crime e violência.

Em todas as regiões do mundo foi constatada uma proporção mais alta de mulheres do que de homens retratadas como vítima nas notícias. A diferença é particularmente marcada na América Latina, onde 28% das mulheres nas notícias foram vítimas.

A América Latina também se destaca em termos de percentagem de peças noticiosas reportadas por mulheres, que subiu de 27%, em 2000, para 44% em 2005.

ALC - Como reverter essa situação de certa "invisibilidade" da mulher na mídia?

O relatório "Quem figura nas notícias?" mostra que, quando não são questionadas, as rotinas e práticas do jornalismo costumam ocasionar histórias noticiosas desbalanceadas que reforçam os estereótipos de gênero.

Esperamos que o relatório "Quem figura nas notícias" ajude a estabelecer um diálogo com os meios, de modo que possamos ir além de queixas unilaterais sobre os meios e passar para um diálogo construtivo com os meios.

Os profissionais dos meios precisam encontrar tempo para prestar atenção ao gênero na prática diária da sua profissão. Um retrato eqüitativo de gênero deve ser um critério profissional como qualquer outro - equilíbrio, imparcialidade e honestidade - a que todo bom jornalista deve aspirar no seu trabalho. Só então veremos uma representação imparcial e equilibrada de mulheres e homens nos meios noticiosos.

ALC - Está previsto outro monitoramento?

O GMMP é realizado a cada cinco anos desde 1995, e constitui uma periódica e persistente memória de que muito pouco mudou. Esperamos que, iniciando um diálogo com os meios sobre a representação imparcial e equilibrada de mulheres e homens nos meios noticiosos, veremos no GMMP 2010 que tanto mulheres como homens aparecem nas notícias.