Assembléia do CMI condena terrorismo e pede plataformas de diálogo
Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 23, 2006
A IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) aprovou documentos nos quais condena toda Taxi Heathrow Airport e qualquer ação terrorista, venha ela dos grupos radicais ou do Estado, deplora a publicação das caricaturas do profeta Maomé, propõe às igrejas membros a construção de plataformas de diálogo com outras religiões e pede que elas promovam sistemas de prevenção de conflitos.
Após análise e discussão, os documentos foram aprovados por consenso pela Assembléia, que reuniu em Porto Alegre, de 14 a 23 de fevereiro, representantes de 348 igrejas procedentes de 110 países, das famílias protestante, ortodoxa e anglicana. O CMI destaca que a violência contra civis desarmados e inocentes, exercida com fins políticos pelo Estado ou por terroristas não admite qualquer tipo de justificativa jurídica, teológica ou ética.
"Atos de terror são atos criminosos" e assim devem ser tipificados na lei, nacional e internacionalmente, define o documento sobre direitos humanos e luta contra o terrorismo. O texto reconhece que a religião é usada às vezes como pretexto para o uso da violência, mas lembra, também, que a religião oferece excelentes recursos para guiar a humanidade à paz e reconciliação.
Por isso, o documento incentiva iniciativas inter-religiosas que busquem respostas possíveis ao terrorismo que não se baseiem na violência, e afirma que todas as ações antiterroristas realizadas pelo Estado devem ficar dentro dos limites do direito internacional, respeitando os direitos humanos e o direito humanitário.
Assinala, ainda, que a "guerra contra o terror" redefiniu o conceito de guerra e relativizou o direito internacional e as normas em matéria de direitos humanos. A Assembléia destacou, pois, que as igrejas devem desafiar firme e decididamente o conceito de "guerra contra o terror".
Em outro documento, a IX Assembléia deplora a publicação das caricaturas de Maomé, que geraram controvérsias e reações violentas. A verdadeira tensão no mundo não se dá entre a religião e as crenças, mas entre a intolerância agressiva e as ideologias manipuladoras de índole secular e religiosa, diz o texto.
O documento pede às igrejas do mundo que se unam para expressar solidariedade àqueles que são atacados em seus símbolos e sentimentos religiosos e que construam plataformas de diálogo com fiéis de outras religiões. Sustenta que é crucial fortalecer o diálogo e a cooperação entre cristãos e muçulmanos.
Também questiona a liberdade de expressão, que, no caso das caricaturas,foi usada para causar dor, ridicularizando religião, valores e dignidade dos povos. A IX Assembléia pede, por isso, que as igrejas contribuam para "uma necessária reflexão" sobre a introdução de conduta ética e critérios justos no exercício desse direito.
Em entrevista coletiva após a aprovação desses documentos em plenária, o bispo da Igreja da Inglaterra, Tom Butler, revelou que o Comitê de Questões Públicas, que integrou, recebeu muitas pressões de delegados para culpar a mídia pela publicação das caricaturas. "Resistimos e não o fizemos, pois quisemos enfatizar a liberdade de expressão e sua responsabilidade", disse.
Num terceiro documento o CMI exorta o Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas (ONU) a que proteja, naquelas situações em que a prevenção de situações de violências tenha falhado, as populações civis em situação de perigo extremo. A Assembléia propôs ao Comitê Central do CMI que elabore declaração ecumênica sobre paz para ser adotada no final da Década de Superação da Violência, em 2010.

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