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Domingo, 11 de Novembro de 2007

Igrejas devem romper o silêncio sobre violência intrafamiliar

Susana Barrera, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 23, 2006

"E contudo buscamos a paz" é o lema central do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) Taxi Heathrow Airport para os próximos dez anos. Segundo a psicóloga salvadorenha Brenda Ruiz Pérez, a mensagem é duplamente válida , pois "muitas de nossas igrejas pensam que somos almas", sem considerar a "grave situação de violência intrafamiliar que ocorre dentro das igrejas".

A psicóloga e professora radicada na Nicarágua considera o tema preocupante. "Aqui há muito pecado", assegurou ao referir-se à violência doméstica e seus devastadores efeitos, "não só para as mulheres, mas também para a infância". Ruiz pediu às igrejas que se pronunciem sobre esses temas e rompam o silêncio.

Esse tipo de violência cotidiana foi qualificado pela especialista como "uma das situações mais graves" no seio das igrejas. "Há situações de violência nos governos e nos próprios organismos eclesiais, mas às vezes, para preservar a imagem da igreja, não dizemos nada", admitiu.

A psicóloga mencionou estudo recente mostrando que as mulheres evangélicas de diferentes denominações eram mais violentadas por seus parceiros do que as mulheres de outras igrejas.

"A violência intrafamiliar está muito silenciada. São poucas as mulheres que se atrevem a falar, e os pastores nem se diga. O estudo mostrou que inclusive pastores e líderes violentam as mulheres. Nem sempre é doméstica, (às vezes) é na congregação", precisou.

Ruiz relatou o caso de Lucrecia Rivera, uma nicaragüense filiada a uma igreja pentecostal, vítima de violência intrafamiliar em 21 anos de casamento, e que ainda passa por cuidados para superar o sofrimento.

"Apesar de ter sofrido violência física, emocional, econômica, sexual e abandono, inclusive dos filhos que começavam a violentá-la imitando o modelo do pai, Rivera conseguiu superar essa violência e nós aparecemos a tempo para apoiá-la. Sua vida foi transformada e assim ela transformou o seu entorno", relatou.

Brenda Ruiz invocou as igrejas a mudarem de atitude e começar a ver o dia-a-dia das pessoas, bem como suas relações com a comunidade e com o país.

A campanha do CLAI de luta contra a violência se estenderá até 2016, com especial incidência na Mesoamérica, do México ao Panamá.