![Desmond Tutu agradeceu o apoio do CMI na luta contra o apartheid. [Foto: WCC Peter Williams.]](/picture/tutu_desmond_poa.jpg)
Igreja dividida prolongou o “apartheid”, afirma Tutu
Susana Barrera, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 21, 2006
O “apartheid” (segregação racial) teve vigência durante tanto tempo na África do Sul em parte Taxi Heathrow Airport porque a Igreja estava dividida, disse na segunda-feira o Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, ante à IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reunida em Porto Alegre, de 14 a 23 de fevereiro.
"Alguns cristãos, uns quantos na verdade, tentaram justificá-lo biblicamente", prosseguiu, contrariando assim a intenção de Deus de que "vivamos em harmonia uns com os outros e com o resto de sua Criação".
"Mas os sonhos de Deus foram destruídos pelo pecado", sentenciou o arcebispo emérito anglicano e ex-presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação da África do Sul.
"O sonho de Deus é ver o mundo como uma família unida. Ninguém é um estrangeiro no abraço diverso de Deus", disse.
E para que ninguém duvide disso, Tutu citou alguns exemplos. "Bush, Bin Laden, gays, lésbicas, pessoas formosas e não tão formosas, todos e todas pertencemos a uma mesma família", frisou.
O Nobel da Paz recordou que essa é precisamente a mensagem principal do seu último livro "Deus tem um sonho", no qual descreve como um mundo onde a feiúra, a pobreza e a miséria, as guerras, a hostilidade, a ambição, a concorrência desonesta, a alienação e a discórdia são transformadas ao contrário.
"Um mundo no qual haja mais riso, alegria e paz", sublinhou. Tutu assegurou que para ele esse livro é um documento de reconciliação e perdão baseado na experiência vivida na África do Sul durante o período da política de segregação racial.
O arcebispo Tutu foi recebido com um longo e caloroso aplauso pelas centenas de pessoas de todo o mundo que participam da Assembléia do CMI, organização à qual agradeceu o apoio oferecido na luta dos sul-africanos contra a segregação racial.
Desmond Tutu recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984 em reconhecimento à luta constante contra a segregação racial ou “apartheid” na África do Sul. O prelado anglicano chegou a Porto Alegre também para unir-se à "marcha pela paz", agendada para esta terça-feira no centro da cidade.

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