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Domingo, 11 de Novembro de 2007

Jape Halth, sacerdote anglicano que preside uma rede de pessoas portadoras do VIH/AIDS. [Foto: S. Barrera]
Jape Halth, sacerdote anglicano que preside uma rede de pessoas portadoras do VIH/AIDS. [Foto: S. Barrera]

Religiosos soropositivos tentam mudar atitude das igrejas

Susana Barrera, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 17, 2006

O reverendo Jape Halth disse que ele e sua organização participam da IX Assembléia, reunida Taxi Heathrow Airport nesta capital, para dizer ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI) que ele “deve fazer mais pelas pessoas que vivem com o vírus da imunodeficiência humana (HIV/Aids) e para reivindicar uma mudança de atitude das igrejas frente às pessoas portadoras do vírus".

Halth, um religioso anglicano, é o secretário geral da Anerela, uma rede de religiosos e pessoas que foram afetados por essa pandemia na África do Sul. Divorciado, pai de um filho, Halth vive com o vírus há seis anos. Ele destacou que em determinadas ocasiões foi julgado de forma negativa por ser portador do HIV, embora venha de uma comunidade de fé na qual se prega que Deus é o único que pode julgar.

O reverendo anglicano contou que ao tomar conhecimento do diagnóstico foi invadido por grande tristeza e pensou que iria morrer logo. "Tudo indicava que iria morrer em seis meses ou um ano. No entanto, vocês me vêem aqui e ainda não estou pronto para meu ataúde", disse, sorridente, o religioso de 42 anos.

O tema do HIV/Aids vem sendo analisado na IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas. Contudo, na maioria das oficinas e grupos de debate chama a atenção a ausência de pessoas soropositivas, "que são os grandes ausentes desta reunião", observou o sacerdote anglicano.

Segundo estatísticas das Nações Unidas, 42 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da Aids em todo o mundo, sendo a África o continente mais afetado, com 26 milhões de soropositivos. Na América Latina, estima-se em dois milhões o número de pessoas infectadas.

"Muitas igrejas disseram que o pecado não é o HIV/Aids, mas a estigmatização sofrida pelos portadores do vírus. Contudo, essas declarações formais não são percebidas em nível pessoal e por isso exortamos as igrejas a redobrarem o trabalho de informação e educação, para um melhor atendimento pastoral às pessoas portadoras do vírus", sublinhou.

O secretário geral da Anerela destacou que grande parte da população infectada pelo HIV não tem acesso a medicamentos ou aos retrovirais por causa da falta de informação, da pobreza e do estigma. "Se pudéssemos superar essas três deficiências, poderíamos tratar este vírus como qualquer outro, sem atribui-lo a um ônus moral, e poderíamos ver uma comunidade religiosa consciente, que responde com o amor de nosso Deus", sublinhou.