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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Luiz Inácio Lula da Silva tem se incomodado com críticas de bispos católicos.
Luiz Inácio Lula da Silva tem se incomodado com críticas de bispos católicos.

Lula destaca papel das igrejas na democratização do país

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 17, 2006

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) a Taxi Heathrow Airport continuar apoiando o Brasil na construção de uma sociedade cada vez mais justa e no combate à fome e pobreza no planeta.

Ele agradeceu a solidariedade ativa que o organismo ecumênico proporcionou na luta pela democratização do país. "A democracia e a liberdade conquistadas pelo povo brasileiro devem muito à participação solidária das igrejas", disse.

Falando para mais de 2 mil pessoas reunidas na plenária da IX Assembléia do CMI, hoje pela manhã, Lula resgatou a acolhida que esse organismo deu,de 1970 a 1980, ao educador Paulo Freire, "um dos brasileiros mais respeitados na área da educação" e que foi perseguido pelo regime militar, obrigando-o a deixar o país. Freire foi consultor do CMI no período. "O ecumenismo cristão representado por este Conselho é um exemplo na busca de um mundo de paz", afiançou.

O moderados do CMI, sua santidade Aram I, saudou o presidente, destacando as origens dele. "O senhor sabe, por experiência, identificar-se com as expectativas, sofrimentos e esperanças do povo". Reportando-se à cidade sede da IX Assembléia, Porto Alegre, Aram I sugeriu a criação de novas cidades no Brasil sob o nome de Porto Esperança e Porto Vida. "Minha expectativa é que o senhor conduza essa nação para a qualidade de vida sustentada pela alegria e esperança", desejou.

Ao ser recepcionado por lideranças ecumênicas na sala vip do campus da Pontifícia Universidade Católica, local da Assembléia, Lula ganhou uma bola de futebol de presente. Torcedor apaixonado do Corinthians, de São Paulo, Lula tomou a bola nas mãos e ensaiou algumas embaixadinhas. A bola, produzida em Sialkot, no Paquistão, é o símbolo da campanha pelo comércio justo, que as igrejas protestantes da Westfalia e da Renânia iniciaram, no marco do Campeonato Mundial de Futebol, que será sediado pela Alemanha, este ano.

Na conversa com líderes ecumênicos, que antecedeu a fala de Lula na Assembléia, o presidente brasileiro comentou a cooperação Sul-Sul. Citou o programa do biodiesel, que o Brasil está desenvolvendo, e que poderia ser uma alternativa energética para países da África. Disse que a cooperação com os países da África, da Ásia e do mundo árabe é importante no cenário do mundo para se alcançar uma voz influente nos organismos internacionais.

"Os convidados devem estar percebendo que a democracia respira forte do lado de fora. Para um país que viveu 23 anos subordinado a um regime autoritário, não tem barulho mais gostoso do que o do povo gritando, contra ou a favor, não importa.

O que importa é que ele esteja gritando", comentou o presidente ao iniciar o seu discurso para a plenária da Assembléia. Lula referiu-se ao coro de centenas de pessoas que estavam no corredor do prédio da PUC e reclamavam o funcionamento do telão, ali instalado, para poderem acompanhar o seu pronunciamento.

No discurso, Lula arrolou, entre alguns aplausos da plenária, realizações dos seus três anos de governo para "transformar a realidade do Brasil". Disse que boa parte das iniciativas do governo tem origem na mobilização da sociedade, como a construção das 113 mil cistenas no semi-árido do Nordeste, para a captação e armazenamento da água. O presidente mencionou o bolsa família, que beneficia 40 milhões de brasileiros e brasileiras, que, assim, têm condições de comer três vezes ao dia.

Até 2008, todos os lares brasileiros terão energia elétrica, quando, recordou, ao assumir o governo 12 milhões de famílias nas áreas rurais não contavam com esse benefício. Uma conquista da qual muito se orgulha, confessou, foi a criação de 4 milhões de empregos formais e a introdução de linha de crédito para trabalhadores com juros pela metade do praticado no mercado. Em 36 meses, o governo assentou 254 mil famílias e levou infra-estrutura e assistência ténica à grande maioria dos assentamentos, relacionou.

O presidente disse que em muitos casos é "a presença nacional e a capilaridade das instituições religiosas" que possibilitam ao Estado levar os benefícios à população. "Tanto na conscientização de setores populares como na organização de cadastros com fins sociais, ou mesmo na fiscalização dos programas do governo, as entidades religiosas têm desempenhado um papel insubstituível nesse processo de transformação do Brasil. E confiamos que essa colaboração se estreite cada vez mais",afirmou.

Em sua visita ao Rio Grande do Sul, hoje, Lula viajou, depois de falar para a Assembléia do CMI, para Flores da Cunha, onde almoçou com produtores de vinho e abriu a Festa da Uva, em Caxias do Sul (na região da serra, a pouco mais de 100 km da capital). Acompanharam o presidente a primeira-dama, Marisa Letícia, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e políticos gaúchos, entre eles os ex-ministros do seu governo Olívio Dutra e Tarso Genro.

Recepcionaram o presidente Lula o moderador, Aram I, o secretário geral do CMI, pastor Samuel Kobia, e o presidente do organismo ecumênico para a América Latina, bispo metodista Federico Pagura; o presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastor Walter Altmann; o bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), dom Orlando Santos de Oliveira; o arcebispo da Igreja Católica de Porto Alegre, dom Dadeus Grings; o presidente e o secretário-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), respectivamente bispo Adriel de Souza Maia e pastor Ervino Schmidt; o secretário executivo da IX Assembléia, pastor Rui Leopoldo Bernhard, e o reitor da PUC, Joaquim Clotet.