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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Leopoldo Cervantes, director do Centro Basiléia de Pesquisa e Apoio (México).
Leopoldo Cervantes, director do Centro Basiléia de Pesquisa e Apoio (México).

Os candidatos à presidência e a religião

Leopoldo Cervantes-Ortiz, CIDADE DO MÉXICO, México, Fevereiro 12, 2006

Um dos temas centrais da disputa eleitoral deste ano é a afiliação ou, pelo menos, Taxi Heathrow Airport os antecedentes religiosos dos candidatos à presidência da República.

Chama a atenção, ao se observar o perfil dos cinco aspirantes - Felipe Calderón (Partido Ação Nacional, PAN), Patricia Mercado (Partido Alternativa Socialdemocrata e Camponesa, PASC), Roberto Campa Cifrián (Partido Nova Aliança, Panal), Andrés Manuel López Obrador (Partido da Revolução Democrática, PRD) e Roberto Madrazo Pintado (Partido Revolucionário Institucional, PRI) -, que o elemento religioso desempenha um papel de certo peso na hora de definir a orientação individual, pois se trata de assunto muito sensível para a população por causa do caráter laico do Estado mexicano.

Calderón, plenamente identificado com o catolicismo, qualifica-se como “pecador standard”[1] e afirma que prefere perder votos a negar sua religião, em resposta à pergunta sobre sua postura acerca do aborto e da pílula anticoncepcional.[2]. Além disso, considera possível que as igrejas tenham acesso aos meios de informação, embora reconheça que não se deva mesclar religião e política.[3]

Ele teve reuniões com dirigentes religiosos, numa das quais ofereceu candidaturas em Chiapas e Tabasco (localidades com forte presença protestante) para dirigentes evangélicos.[4]

Mercado situou-se, no passado, no espectro da teologia da libertação, embora sua militância mais intensa tenha se dado em grupos feministas e em outros movimentos populares que tinham consciência de que a pobreza não é algo natural. [5]

Campa Cifrián, por sua vez, manifestou-se a favor da pluralidade e a liberdade de crença religiosa a partir de uma postura católica e jurista. “Estou convencido de que à Igreja corresponde o poder espiritual e ao Estado o poder temporal”, assegurou.[6]

Não há dúvida de que a postura de López Obrador tem sido a mais polêmica nesse terreno, pois ao seu discurso, qualificado por alguns como messiânico e de tintas maniqueístas, [7] acrescentou, numa entrevista à televisão, uma comparação com Jesus Cristo, o que foi mal recebido em diversos círculos,[8] sobretudo porque relacionou os sofrimentos de Jesus com a sua própria experiência política, marcada pela perseguição que foi alvo em 2005 por parte do governo federal

Sua filiação religiosa tem sido motivo de elucubrações há tempo, pois pensa-se que ele é evangélico, embora não o tenha confirmado em entrevistas, o que motiva ataques por alguns de seus opositores.[9]

Finalmente, Madrazo Pintado, também original de Tabasco (como López Obrador), teve, desde o seu tempo de governador desse Estado, aproximações com diversos grupos religiosos. Na igreja presbiteriana, por exemplo, lembra-se muito o uso oportunista de alguns textos bíblicos durante suas campanhas. De modo que, além de um genuíno interesse pelo religioso, Madrazo é visto como um político de cunho antigo, que não tem dúvidas em recorrer a qualquer recurso para conseguir adesões.[10]---------------------------

[1] Roberto Garduño, entrevista a Felipe Calderón, em La Jornada, 7 de julho de 2004, www.jornada.unam.mx/2004/07/07/008n1pol.php?origen=politica.php&fly=1.
[2] Claudia Herrera Beltrán, "Calderón: prefiero perder votos a negar mi religión", em La Jornada, 8 de fevereiro de 2006, www.jornada.unam.mx/2006/02/08/016n1pol.php.
[3] Claudia Herrera Beltrán, "Justifica Calderón a Fox por los temas pendientes que dejará en la Presidencia", em La Jornada, 26 de outubro de 2005, www.jornada.unam.mx/2005/10/26/023n1pol.php.
[4] Alma Muñoz, "Calderón ofrece a iglesias ‘plena libertad religiosa’", em La Jornada, 3 de fevereiro de 2006, www.jornada.unam.mx/2006/02/03/010n2pol.php. Cf. Sergio Javier Jiménez, "Acuerda Calderón dar candidaturas a evangélicos y cristianos", em El Universal, 8 de fevereiro de 2006, www.el-universal.com.mx/notas/329794.html.
[5] Silvia Núñez Esquer, "Para familias, políticas, no buenas intenciones: Mercado", em Cimac Notícias, 30 de janeiro de 2006, www.cimacnoticias.com/noticias/06ene/06013008.html.
[6] Alberto Morales, "Aboga Campa por la libertad de culto religioso", em El Universal, 1 de fevereiro de 2006, www.eluniversal.com.mx/notas/328608.html
[7] "Elecciones 2006: un mesías, dos hombres de familia y dos pecadores en contienda", Agência EFE, 2 de fevereiro de 2006, em www.terra.com/noticias/articulo/html/act332164.htm. Leopoldo Mendívil, em "...El nombre de Dios", em Crónica, 6 de fevereiro de 2006, www.cronica.com.mx/nota.php?idc=224706, afirma que as tendências autoritárias se explicam por sua filiação religiosa adventista: "A crença familiar do perredista teria sido a dos Adventistas do Sétimo Dia, um rito de condutas rígidas e de apego inflexível ao dogma. ‘Essa seria – me disse a fonte consultada ontem à tarde – a primeira origem da tendência autoritária do senhor López Obrador’”.
[8] Cf. Elena Michel, "AMLO, católico sólo en la intimidad", em El Economista, www.economista.com.mx/impreso/articulos/06256D5C000466290625710E001169A5.
[9] Roberto Madrazo referiu-se a isso num discurso: “Se a liberdade e a lei não importam para alcançar a meta que acreditam que só eles podem atingir, tampouco conta a verdade. Mentem sem fim, a toda hora e sobre qualquer tema; chegam, inclusive, à temeridade de mentir sobre o seu próprio credo religioso”, cit. Por
L. Mendívil, op. cit.
[10] Cf. "Elecciones 2006...", op. cit.