Ressurgem vinculações do menemismo com o Vaticano
BUENOS AIRES, Argentina, Fevereiro 6, 2006
A imprensa argentina voltou a destacar vinculações do setor menemista do Partido Justicialista, cujo operador Taxi Heathrow Airport político é o ex-embaixador Esteban Caselli, com o secretário de Estado do Vaticano, monsenhor Angelo Sodano.
Tais relações evidenciam-se quando a Conferência Episcopal Argentina (CEA), presidida pelo arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, remeteu à Santa Sé nominata de candidatos ao bispado, que o Vaticano, em sua resolução, introduziu dois clérigos conservadores que não estavam na lista para conduzir a diocese de Resistência e Rosário.
Segundo o jornalista Julio Algañaraz, correspondente do diário Clarín na Santa Sé, essa situação deve-se à influência do duo Caselli-Sodano, ao qual se somara o apoio do cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, considerado um conservador.
A vinculação data da gestão presidencial de Carlos Saúl Menem, quando Esteban Caselli foi designado embaixador da Argentina no Vaticano, e na posterior breve presidência de Eduardo Duhalde, que nomeou Caselli titular da Secretaria de Culto da Nação.
Na década de 90 do século passado, os bispos argentinos inteiravam-se das decisões tomadas em Roma graças à influência do duo Sodano-Caselli, aponta o jornalista. O menemismo propôs o apoio em nível internacional a algumas políticas oficiais da Igreja Católica com relação ao aborto.
Outro especialista em temas católicos do Clarín, Serbio Rubin, afirma que Caselli objetou a renovação do clero que vinha encabeçada pelos dois presidentes anteriores da CEA, Estanislao Karlik, da cidade de Paraná, e Eduardo Miras, de Rosário.
A influência direta de certos líderes do Partido Justicialista sobre as decisões de Roma significa o que se chama no jargão portenho “puentear”, neste caso os bispos da CEA.
A ingerência secular na nomeação de bispos, no caso de se confirmarem, não seria senão a continuação informal do Patronato da Igreja, mesmo que a Concordata com o Vaticano, assinada pela Argentina em 1966, o aboliu para despersonalizar as relações do Estado argentino com o Vaticano.
Da ótica protestante e republicana, esse assunto redunda profundamente antidemocrático e implica uma intromissão em assuntos internos da Igreja Católica da Argentina e suas próprias relações de poder em nível doméstico.

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