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Sábado, 11 de Fevereiro de 2006

Libertado evangélico preso injustamente durante 13 anos

LIMA, Perú, Fevereiro 3, 2006

Portando a Bíblia numa das mãos e na outra uma bolsa com os  pertences pessoais, Taxi Heathrow Airport o evangélico Walter Cubas Baltasar, acusado injustamente de terrorismo e que passou 13 anos na prisão, deixou a casa de detenção Miguel Castro Castro, na quarta-feira, depois que a Justiça o proclamou livre.

"Dou graças a Deus pela liberdade e a todas as pessoas e instituições que trabalham pela justiça e pelos direitos humanos, a todos os que oraram pela minha libertação, às bonitas cartas de alento que me animaram". Essas foram as primeiras palavras que Baltasar pronunciou ao sair da prisão e em meio a abraços de familiares e amigos.

O juiz Walter Castillo Yactayo, da Terceira Vara da Justiça Supraprovincial de Lima, concedeu liberdade condicional a Baltasar, 13 anos depois de preso sob a acusação de prática terrorista.

Baltasar foi preso em Lima no dia 20 de janeiro de 1993. Ele foi acusado de fazer parte do Sendero Luminoso, como integrante de grupo especial de aniquilamento, e de ter pichado um muro com o lema "fora yanques do Golfo Pérsico", junto à foice e martelo, símbolo do Partido Comunista do Peru.

Em 1993, Baltasar foi submetido a um tribunal militar sem rosto, que o condenou à prisão perpétua. Ele foi transferido à cadeia de Yanamayo, perto de Puno, onde permaneceu durante cinco anos.

Depois, passou pelo julgamento de um tribunal regular, mas os juízes determinaram que as provas da investigação policial tinham sido elaboradas de maneira irregular e, contra todo o prognóstico, condenaram Baltasar a 16 anos de prisão.

Baltasar sempre manifestou rechaço ao terrorismo e à violência, ao mesmo tempo em que se dizia comprometido com a fé evangélica. Diversas pessoas e instituições cristãs, em nível nacional e internacional, intercederam pela sua liberdade, como Amnesty International, que o adotou como "preso de consciência".

"Damos graças a Deus e por cada uma das instituições e pessoas que apoiou o seu caso, por todas as cartas que ele recebeu durante sua permanência na prisão", disse Wuille Ruiz, da Associação Diaconal Paz e Esperança.

"Oremos por Walter e por todos aqueles que são privados da liberdade que ainda demandam justiça, por quem tornam possível que isso se concretize, não deixemos que por falta de um carimbo ou de uma assinatura ou de nomes mal escritos ou de falhas humanas nos quitem parte de nossa vida, desterrados de nossa própria sociedade", disse.