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Sábado, 11 de Fevereiro de 2006

Carlos Monsiváis, escritor e analista político mexicano [Foto: Carlos Mondragón]
Carlos Monsiváis, escritor e analista político mexicano [Foto: Carlos Mondragón]

Escritor defende laicismo perante presidente Vicente Fox

Leopoldo Cervantes-Ortiz, CIDADE DO MÉXICO, México, Fevereiro 1, 2006

O fundamentalismo da direita mexicana “perdeu uma atrás da outra as batalhas culturais no país”, Taxi Heathrow Airport disse o escritor Carlos Monsiváis, de origem protestante, que defendeu, ardorosamente, o laicismo e a educação pública ao receber, na terça-feira, o Prêmio de Ciências e Artes na área de Lingüística e Literatura.

Monsiváis falou em nome dos demais agraciados, alguns dias depois de ler discurso em homenagem a Benito Juarez, em Oxaca, como parte da campanha de André Manuel López Obrador à presidência da República. Entre os agraciados com o prêmio estão a pintora Leonora Carrington, a escritora Elena Poniatowska e o escritor José María Pérez Gay.

Segundo La Jornada, Monsiváis lançou, ao discursar perante o presidente Fox e outras autoridades presentes na cerimônia, dardos contra o governo e defendeu com vigor o Estado laico e a educação pública. Fox teve que ouvir o escritor por mais de 30 minutos.

Monsiváis arremeteu contra “a insolvência” do ministro da Casa Civil, Carlos Abascal, conhecido por sua postura a favor dos católicos, e demandou a recuperação de uma absoluta liberdade de credos “como o espaço que propicie a vinculação do ser humano com seu destino transcendente”.

O escritor disse que Abascal tem, como cidadão, o direito de proclamar as vantagens da fé que professa, mas não como ministro de Estado. O Estado laico, disse, supõe a ética republicana que deposita na educação e as leis os valores éticos da sociedade não-teocrática, sem desconhecer o papel das religiões.

Questionou, ainda, a ótica da “minoria governante” com respeito à educação pública. “Considera-se o refúgio dos que não podem evitá-la, os desconhecidos de sempre, os carentes de acesso aos benefícios da alta tecnologia e a companhia escolar dos que serão poderosos porque seus pais já o são”, disse.

Uma das tarefas urgentes para o desenvolvimento do México, sublinhou o escritor, é a reivindicação das escolas públicas: “Insistir em sua deterioração, como se faz a partir das classes mais favorecidas (...) é inventar o espetáculo da decadência de quem nunca viveu o auge”, concluiu.