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Sábado, 11 de Fevereiro de 2006

Angel Furlan coordena luta de iggrejas contra a dívida ilegítima. [Foto: M.Quintero]
Angel Furlan coordena luta de iggrejas contra a dívida ilegítima. [Foto: M.Quintero]

Crimes da dívida externa não podem ficar impunes, diz pastor

BUENOS AIRES, Argentina, Janeiro 31, 2006

O pastor luterano Ángel F. Furlan disse que em conseqüência da dívida externa foram cometidos Taxi Heathrow Airport e continuam sendo cometidos muitos crimes, como fraudes, corrupção, usura, depredação ambiental, escravidão, infanticídio e morte. Esses crimes “não podem ficar impunes”, advertiu.

Uma investigação séria da dívida permite a conclusão que os verdadeiros credores “somos nós, os povos, e que os culpados do genocídio da dívida devem pagá-la em lugar de reclamar”, afirmou Furlan.

A dívida é responsável por um prolongamento e a cada dia novo genocídio segue cobrando vidas humanas e em número ainda maior que os crimes aberrantes da ditadura militar. Furlan qualificou a dívida como “a ferramenta fundamental de um modelo de dominação”.

O pastor argentino é responsável pelo Programa de Incidência sobre Dívida Externa Ilegítima, da Federação Luterana Mundial. Ele participou, semana passada, do Fórum Social Mundial, reunido em Caracas.

Os responsáveis por tais crimes, defendeu Furlan, devem ser declarados culpados. “Não basta que renunciem à pretensão de cobrar uma dívida ilegítima, devem reparar e indenizar pelo mal que fizeram”, insistiu.

Furlan assegurou que não se pode construir uma sociedade mais justa sobre a base da impunidade, do indulto ao poderoso. “A dívida deve ser auditada, investigada, arbitrada e junto a ela todos os que participaram do seu mecanismo perverso”, defendeu.

O pastor Furlan e um grupo de cidadãos, encabeçados pelo Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, apresentaram ao Fundo Monetário Internacional (FMI) recurso contra o pagamento da dívida efetuado pelo governo argentino. “Esse pagamento aponta uma consagração da impunidade e não podemos aceitá-lo”, destacou.

“Se as igrejas querem ser fiéis ao Evangelho de Jesus Cristo, elas devem amar a verdade que traz justiça”, disse Furlan, acrescentando: “Os cristãos devem insistir no fato de que nada de bom pode ser edificado sobre a ilegitimidade, a injustiça, a usura, a corrupção e a impunidade”, concluiu o líder luterano.