Evangélicos criticam efeitos devastadores dos Tratados de Livre Comércio
CARACAS, Venezuela, Janeiro 31, 2006
Líderes evangélicos que participaram do Fórum Social Mundial, reunido em Caracas de 24 a 29 Taxi Heathrow Airport de janeiro, criticaram os Tratados de Livre Comércio (TLC) impulsionados pelo governo dos Estados Unidos em diversos países da região. Eles apontaram os efeitos devastadores dos TLC sobre camponeses e o desmonte dos marcos jurídicos latino-americanos.
Magali Smith, leiga e líder da Igreja Evangélica Dominicana, advertiu sobre os perigos do projeto de integração econômica ativado pelo TLC da América Central e República Dominicana. Ele permite a entrada discriminada de produtos produzidos em condições muito mais baratas e a conseqüente aniquilação da pequena e média empresa nacional, apontou.
Roberto Bruneau, bacharel em Teologia pela Universidade Bíblica Latino-Americana e membro da Igreja Episcopal do Panamá, disse que a exigência do TLC para que se anulem as leis nacionais de países da América Central é ainda mais grave. Ele pediu a conscientização nas igrejas e a ação cidadã para impedir que os TLC sejam executados.
O impacto do TLC América Central – República Dominicana, e outros que estão sendo negociados, é de “imposição de condições ainda mais leoninas do que já fora incluído em matéria de direitos trabalhistas e ambientais”, alertou Bruneau.
Os líderes cristãos que participaram do seminário “A hora da Alternativa Bolivariana para a América (ALBA)”, no dia 25 de janeiro, pediram aos governos dos países da América Latina e do Caribe que enfatizem a integração dos povos a partir de políticas inclusivas, que respondam às necessidades cotidianas das pessoas.
O evento foi auspiciado pelo Programa Fé, Economia e Sociedade, do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), pelo Jubileu Sul e a agência Christian Aid, da Grã-Bretanha.
A comunicadora Roberta Coutinho, membro da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e coordenadora da Pastoral da Juventude do CLAI-Brasil, criticou os governos por não promoverem a participação cidadã nos TLC e convidou os países do hemisfério para que privilegiem a integração “frente à exclusão social, econômica e política”.
O cientista político argentino David Cela Heffel, integrante da Igreja Evangélica do Rio da Prata (IERP) e coordenador continental da Pastoral da Juventude do CLAI, criticou o projeto do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) como um projeto que acelera uma agenda alheia às necessidades reais dos povos.
O líder indígena evangélico Julián Guamán, do Equador, afirmou que a raiz profunda da exclusão social no continente baseia-se numa racionalidade ocidental unitária, “que aparenta integrar a sociedade, mas, na realidade, exclui a diversidade sócio-cultural dos povos originários do continente”.

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