Culto ecumênico lembra líder histórico
Susana Barrera, SAN SALVADOR, El Salvador, Janeiro 27, 2006
"Schafik não dizia que era cristão... mas fazia a vontade de Deus. Não dizia ser Taxi Heathrow Airport religioso, mas deu melhor testemunho do que qualquer bispo ou sacerdote", disse o bispo Medardo Gómez, da Igreja Luterana de El Salvador, no culto ecumênico, quinta-feira, em memória do líder histórico da esquerda salvadorenha, Schafik Handal.
O culto foi realizado na Universidade de El Salvador e reuniu cerca de 5 mil pessoas. O corpo de Handal chegou ao local com duas horas de atraso, às 19h. Ele apareceu cercado por uma caravana de funcionários estrangeiros, militantes da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), amigos e familiares que levavam arranjos de flores, bandeiras e cartazes.
O bispo Martín Barahonam, da Igreja Anglicana, disse que Handal não deve ser lembrado como um homem que morreu, "mas como um homem que nasceu". O bispo reiterou que o político foi um protagonista das mudanças em El Salvador.
O sacerdote Luis Serrano, também da Igreja Anglicana, referiu-se ao líder histórico como um exemplo de esperança, e instou o povo a herdar os novos horizontes de justiça e paz que Handal sonhou. "Não morramos com os mortos e vivamos como Schafik as obras ansiadas", disse.
Handal morreu na terça-feira, em conseqüência de um ataque cardíaco, depois de ter participado da posse do presidente da Bolívia, Evo Morales. Ele faleceu com a idade de 75 anos, 60 dos quais dedicados à vida política, do Partido Comunista à FMLN.
Antes do culto ecumênico houve um ato político. Os participantes do evento mantiveram o punho esquerdo erguido e içaram bandeiras. Líderes da FMLN mencionaram a trajetória revolucionária de Handal.
Dom Rafael Urrutia, da Igreja Católica, elogiou a autenticidade e honestidade de Handal. "Ele foi um homem de uma cara só, como poucos em El Salvador, que sofreu a pobreza de muitos. Foi um homem eticamente intocável", afirmou.
O pastor Santiago Flores, da Igreja Reformada Calvinista, disse que Handal foi um artesão da paz, que viveu uma clara opção pelas famílias pobres. "Como Jesus, Handal sentia indignação diante de tanta injustiça", mencionou o pastor Miguel Tomás Castro, da Igreja Batista Emmanuel.
Handal será enterrado no domingo, no cemitério "Monsenhor Romero", em San Salvador. Até lá vão ocorrer duas vigílias, uma na Praça Cívica ou Praça dos Mártires e outra na Universidade Nacional.

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