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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004

Walter Altmann, pastor-presidente da IECLB [Foto:CLAI]
Walter Altmann, pastor-presidente da IECLB [Foto:CLAI]

Impedimentos éticos às ações do xerife do mundo

WASHINGTON, Estados Unidos, Agosto 13, 2002

A vulnerabilidade, difícil sentimento para o povo norte-americano depois dos atentados terroristas de 11 de Taxi Heathrow Airport setembro do ano passado, é intrínseca à condição humana. O shalom (paz) bíblico, como categoria ética, deve impedir que qualquer nação, por mais poderosa que seja, intente estabelecer, por via militar ou por outros meios, um estado de autoproteção absoluta.

Ao contário, deve prevalecer, em primeiro lugar, o esforço conjunto para o estabelecimento de ordens sociais mais justas, globalmente, sabendo-se que todos os esforços humanos são falhos e apenas provisórios.

A defesa desse ponto de vista é do teólogo brasileiro Walter Altmann, que introduziu a sessão dedicada às "Perspectivas teológicas e éticas" da consulta "Para além do dia 11 de setembro: implicações às igrejas dos Estados Unidos e do mundo".

A consulta, promovida pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reuniu em torno de 40 participantes, nos dias 5 e 6 de agosto, na cidade de Chevy Chase, Maryland, nas proximidades de Washington. O objetivo primeiro do encontro foi o de fortalecer o compromisso das igrejas em favor da paz, num espírito de solidariedade com as vítimas do atentado.

Altmann destacou, na sua intervenção, a perspectiva bíblica do shalom. Frisou que a guerra não é o meio mais eficaz e duradouro para o combate ao terrorismo, e que a dignidade da pessoa humana, criada à imagem de Deus, deve ser observada, sem exceções, em todas as circunstâncias.

Representantes de igrejas do Paquistão, Japão, Filipinas, Austrália, Inglaterra, Canadá, Porto Rico, Palestina, Cuba e do Brasil falaram de suas percpeções dos acontecimentos, de como vêem o conceito de "segurança nacional e segurança global", e quanto ao diálogo inter-religioso, em particular as crenças cristã e islâmica, em prol da paz.

As devocionais do encontro, relata Altmann, foram muito comoventes. No dia 5, o bispo luterano Stephen Bouman, de Nova York, fez uma reflexão acerca do trabalho pastoral de solidariedade e conforto com os familiares das vítimas e sobreviventes do atentato.

No dia 6 de agosto, 57 anos após o lançamento da primeira bomba atômica pelos Estados Unidos sobre a cidade de Hiroshima, matando 130 mil pessoas, o reverendo Renta Nishihara, anglicano do Japão, intercedeu pelas vítimas de seu país, mas também pelas vítimas do militarismo japonês na Segunda Guerra Mundial. Não ficou à margem das intercessões a situação no Oriente Médio.

A declaração final do encontro reconhece como indispensável o diálogo e o esforço conjunto dos cristãos em todo o mundo em favor da paz. Diz, ainda, que a segurança entre os povos deve estar baseada na observância dos direitos humanos, no estabelecimento de uma ordem econômica com justiça, e que é preciso fortalecer as instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

O documento final da consulta apela para que as igrejas dos Estados Unidos exerçam toda influência possível junto ao governo de seu país, para que ele não recorra a um ataque militar contra o Iraque.


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