
Pensar o batista (I PARTE)
Jonathán Pimentel, SAN JOSÉ, , Janeiro 10, 2006
A pergunta pelos projetos e práticas sociais sustentadas e desenvolvidas pelo movimento teológico, político e Taxi Heathrow Airport cultural denominado como batista é importante para determinar a capacidade de crentes cristãos de se articularem e desenvolverem, a partir de si próprios, espaços de gratificação humana responsável.
É preciso advertir que o movimento batista (MB), ainda que em princípio deve ligar-se com grupo anglo-saxões, principalmente na América Central, há vários anos (isso variada de acordo com cada país e região) ultrapassa o monocentro anglo-saxão e se abre ao diálogo crítico com outras experiências.
Embora nos interessem todas essas variantes e as experiências que as alimentam, nos referiremos unicamente às possíveis mutações e conflitos do MB, que nos sugere ou assinala o batista espanhol Manuel López.
De concreto, me referirei aos artigos de López intitulados “Batistas na encruzilhada”, publicados nesta página web. Farei indicações pontuais aos artigos de Lopéz e assinalarei alguns pontos para discussão.
Segundo López, é impossível falar de uma teologia batista latino-americana, asiática ou africana e agrega um corolário: o centro de gravidade da vivência batista continua sendo os Estados Unidos. Como creio que López escreve a sério, permito-me fazer alguns comentários.
Teria que explicitar, para ter uma discussão mais ou menos proveitosa, o que entende López por teologia e o que faria desta latino-americana, asiática ou africana. Suponhamos que López acredite que teologia é a que se escreve num livro e que é de um ou outro lugar pelo sítio (argumento topográfico) onde se escreve tal livro.
No caso da América Latina deve assinalar-se a López que a expressão “América Latina” é uma abstração. Designa economias-sociedades, regiões, setores diferenciados e, em ocasiões, encontrados e incompatíveis. Por isso nenhum discurso sobre a América Latina pode ser imediatamente identificado com alguma de suas realidades sócio-históricas.
Então, a declaração de López sobre a inexistência de um pensamento teológico batista latino-americano é insuficiente, embora contenha alguma razão. López acredita na existência da América Latina como um todo articulado, por isso sentencia que não há na "América Latina" uma vivência batista latino-americana. Com respeito à centralidade dos Estados Unidos em questões de doutrina e prática batista, quiçá López confunde publicidade com produção ou pensamento.
López olha como algo natural que exista no interior de um mundo batista, sem que isso gere conflito, os quase repelentemente ricos e os que sofrem carências. Inclusive estima louvável que o multimilionário dê um bom dízimo e que ademais se ajude aos carentes (suas carências são produtos de relações sócio-históricas onde a religião joga um papel importante) a sair da Inglaterra.
E assinala como corolário que: a identidade batista (que identifica com um grupo reunido em Birmingham) caracteriza-se hoje pela coexistência “civilizada do multimilionário e o carente”. Mas, não é acaso o confronto direto contra os submetimentos sócio-históricos uma das práticas mais destacadas "dos batistas": movimentos antiescravistas, antiimperialistas, feministas, de direitos civis para maiorias (no imaginário de dominação minorias)?
Por que anunciar que hoje o batista caracteriza-se pela coabitação pacífica de múltiplas diferenças e inclusive submissões? O ânimo de pensar-nos em coexistência pacífica, sem tornar visível nossos conflitos, sem gerar rupturas necessárias, é o que impede que novas vozes apareçam nos horizontes batistas.
Em sua exposição, López costuma confundir a Aliança Batista Mundial com o batista. Isso, além de ser uma falácia (falácia do conjunto), impede o movimento e a discussão de problemas batistas que o autor quer abordar. A idéia de que exista "uma família batista", que deve ligar-se com o anterior, supõe consensos, ponderações e discussões que não costumam ocorrer.
Mais ainda: se existe uma família batista como imagina López, essa se encontra atravessada por relações, em maior quantidade de interdependência assimétrica. A família batista de López parece ter um pai: Jimmy Carter, e um avô, William Carey. Por isso, quando advoga uma nova estrutura geopolítica sua petição carece de fundamento. López pensa o MB a partir do norte. Dessa forma é impossível gestar uma nova geopolítica. Não se dá conta de que o ecumenismo e o diálogo entre religiões se dão há muitos anos na "América Latina, Ásia e África".
O critério de ingresso de López para discutir "o batista", a Aliança Batista Mundial, é insuficiente, caso se queira repensar "o batista" a partir das diversas e complexas situações da América Latina. Por isso, "o problema" entre carismatização e culto tradicional (outra abstração) não deixa de ser curioso. Explico-me: para alguns "batistas intelectuais" desagrada-lhes "o carismático", por isso se vão à Igreja Católica Romana (a de Bento XVI). Pergunto: É isso um problema candente para a vivência latino-americana? Não seria mais problemático, por exemplo, o crescente empobrecimento da vida humana nessas terras? Que importância tem que Denton Lotz (o mesmo que assinou documento afirmando que ele não animava a ordenação de mulheres ao ministério pastoral) considere superficiais os cantos "carismáticos"?
A discussão "do batista" na América Latina não deve começar da vivência oficial da Aliança Batista Mundial, tampouco deve desconhecê-la. A ponderação das especificidades "batistas latino-americanas" deve iniciar pela elaboração de agendas próprias de trabalho.
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Jonathan Pimentel Chacón. Seminário Teológico Batista da Costa Rica.

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