
Por exemplo, ALC
Manuel López, MADRI, España, Janeiro 10, 2006
Ano novo... agenda nova. 2006 traz consigo duas celebrações históricas: a IX Assembléia do Conselho Taxi Heathrow Airport Mundial de Igrejas (CMI), em Porto Alegre, de 14 a 23 de fevereiro, e o 50o aniversário da Federação de Entidades Religiosas Evangélicas da Espanha (FEREDE), no dia 14 de maio.
Na hora de transcrever anotações e citações da agenda de 2005 para a de 2006 me dei conta de um lapso imperdoável no ano que passou: esqueci-me por completo de felicitar o Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e a Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC) pelos 10 anos de ALC Notícias! Espero chegar ainda a tempo antes que venha o 11o aniversário.
Por experiência - em 2006 um servidor cumpre 60 anos de idade, 40 de ofício de jornalista e 25 como editor -, sei que manter vivo, dia após dia, por dez anos um meio tão ágil, ameno e equânime, como discretamente impessoal e de modo consensual como é a ALC não é nada fácil.
O milagre se deve ao fato de que o diretor da ALC, Fernando Oshige, tem essa rara capacidade, que se casa assim como um anel no dedo, com o perfil de "super Dircom" [diretor de Comunicação] que os caçatalentos procuram desesperadamente para empresas com escritórios em crise.
Sei de sobra que a publicação do parágrafo anterior terá suposto um trago ao diretor de ALC sem espera-lo, acostumado ao trabalho calado e anônimo de “transtienda”... rotundamente contra o meu voto, desde já, se algum dia ocorrer ao CLAI a peregrina idéia de nomear-me assessor da ALC.
O ofício de editor acarreta isso. No campo secular, no qual me desenvolvo, o desjejum do sapo de cada manhã é moeda corrente. Nesse ofício há que ter a paciência de Jó, o estômago de Jeremías, a visão de João, a energia de Paulo, o temperamento de Pedro, ancião das epístolas, a humildade dos Bernabé que ficaram à margem da catalogação deutero-canônica... para resistir - sim, resistir – dez anos à frente de uma agência de notícias cujos recursos, imagino, não passam da metade da metade do que o bom de Fernando Oshige me "vende", isto é, acede a "vender-me" quando me ponho pesado com ele. O dito: o "dircom" perfeito.
Ignoro em detalhe o seguimento da ALC no mundo acadêmico religioso da América Latina. Pelo que diz respeito a Espanha, quero e devo deixar constância de que, quando publiquei o meu primeiro artigo na ALC, "Balada do menino Alí Ismael", no dia 24 de abril de 2003, conduzia um curso analisando em aula com meus alunos de Jornalismo na Universidade o "fenômeno ALC", uma "fábrica" até agora única no mundo hispanofalante, que gera uma notícia de cabeceira ao dia... e mais notícias secundárias, diariamente, do mundo religioso na América Latina.
Incrível... mas certo. Em certa ocasião em que na mesma semana informei Fernando Oshige de atividades na Inglaterra, Alemanha, França e Itália, ele se surpreendeu de que um servidor não tivesse problemas lingüísticos em nenhum desses países, minha conclusão foi certamente outra: em nenhuma outra região do mundo como na América Latina tinha um serviço de notícias tão ágil... e ecumênico! , realmente ecumênico, em razão de ser profissionalmente solvente, como ALC Notícias.
Embora seja colaborador da casa, uma espécie de correspondente voluntário em funções na Europa, não me escapa o fato de que estou escrevendo a partir do outro lado do charco, longe, portanto, dos cenários que conformam o marco natural de cobertura informativa da ALC Notícias.
No entanto, dado que a nossa é a era da globalização - para o que aqui em Madri só faz falta acercar-se à estação de Atocha para ouvir falar centenas de idiomas -, devo dizer que para a crescente imigração latino-americana à Espanha, a ALC está sendo um meio informativo estratégico... e tremendamente necessitado de melhorar! O contingente de imigrantes latino-americanos na Europa está total e absolutamente desatendido no plano informativo. CLAI, ALC... é vossa matéria pendente, o desafio que tendes pendente aqui e agora. Conferência Européia de Igrejas (KEK-CEC), tome nota.
O futuro da ALC na Europa será tão grande como a fé e o conseqüente apoio que as instituições chamadas a mantê-la viva e em expansão sejam capazes de alimentar. Ferreamente discreto como é, não pude subtrair absolutamente nada a Fernando Oshige. Exige, mas temo – sinto-o, são muitos anos de ofício, como para ler do princípio ao fim os silêncios - que a ALC deve andar sob o mínimo...
No décimo aniversário da ALC Notícias, esse tardio felicitador deseja vivamente que não decaia esse irredutível lugar de referência. Não retirem da ALC o apoio necessário, por favor. O Reino de Deus fala espanhol. A ALC aqui está para pôr os melhores tijolos na construção do Reino: as palavras.
Ânimo, querido Fernando. Não te censures, por favor, e publica esta nota, mesmo sabendo que não faltará quem te critique -és editor!, sempre te criticarão ora por publicar isto (que tanto te custou conseguir), ora por não publicar aquilo outro (do que nem tinhas idéia, pois ninguém te informou). São os osso do ofício. Todos pedindo ser os reis exclusivos do mambo. E por experiência digo que o campo evangélico é especialmente desagradecido e mesquinho com os seus comunicadores. Nada novo, assim aconteceu com os profetas...
Madri, 10 de janeiro de 2005.
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Manuel López. Jornalista espanhol, diretor da Revista Foto, membro da Primeira Igreja Batista de Madrí.

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