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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Dom Orlando Santos de Oliveira, bispo primaz da IEAB [Foto: IEAB]
Dom Orlando Santos de Oliveira, bispo primaz da IEAB [Foto: IEAB]

Bispos anglicanos pedem a Williams mais determinação

Edelberto Behs, BRASÍLIA, Brasil, Novembro 28, 2005

A Câmara dos Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) remeteu carta aberta ao Taxi Heathrow Airport arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, pedindo uma atitude mais firme no que diz respeito à integridade da Comunhão Anglicana e à autonomia provincial.

A Câmara expressou unânime solidariedade ao primaz brasileiro, dom Orlando Santos de Oliveira, no seu enfrentamento com o ex-bispo da Diocese do Recife, Robinson Cavalcanti. A carta foi assinada em Brasília pelos 12 bispos anglicanos e o primaz, que compõem a Câmara, com data de 14 de novembro, mas divulgada na quinta-feira, 24.

A carta dos bispos anglicanos da IEAB registra a participação do arcebispo de Cantuária no encontro South to South, realizado em outubro, no Egito, e organizado pelo arcebispo Peter Akinola, da igreja da Nigéria. Akinola é ultraconservador e, em agosto, mandou carta à igreja brasileira desconvidando-a do evento. Mas Cavalcanti, como dissidente, participou do evento.  

“Não podemos compreender por que nosso Arcebispo de Cantuária nada comentou publicamente em relação à nossa arbitrária exclusão, tendo ainda, com sua presença e fala, legitimado todas aquelas declarações que pretendem re-inventar a Comunhão Anglicana, fazendo com que se torne uma federação de igrejas através da assinatura de uma declaração confessional”, expressaram os bispos brasileiros.

Em entrevista à ALC, dom Orlando Santos de Oliveira explicou que o arcebispo de Cantuária sempre foi um grande teólogo liberal. Na tentativa de preservar a Comunhão Anglicana e na liderança da mesma, Williams não vem se posicionando, contudo, de maneira clara no conflito instaurado na Igreja Anglicana, gerado pela discussão da sexualidade humana, autonomia das Províncias e papel da própria Comunhão.

“Isso não ajuda. Historicamente, a Igreja cristã sempre foi marcada pela controvérsia e assim ela vai caminhando”, disse dom Orlando, sugerindo, nas entrelinhas, uma tomada de posição mais firme ao arcebispo Rowan Williams nesse momento difícil que vive a Comunhão Anglicana.

O Superior Tribunal de Justiça da Província brasileira suspendeu, este ano, o bispo Edward Robinson de Barros Cavalcanti do ministério eclesiástico, por desacato ao primaz, aos colegas bispos, à IEAB e por se envolver de modo irregular na jurisdição de outras Províncias.

O conflito entre Cavalcanti com a IEAB e o primaz tem origem na participação dele em culto de confirmação, em 2003, de 110 jovens, celebrado em templo da Igreja Ortodoxa de Ohio, Estados Unidos, por cinco bispos anglicanos eméritos sem o consentimento do bispo diocesano local.

A celebração foi solicitada pelos jovens, que não concordaram com a consagração do bispo Gene Robinson, um homossexual assumido, pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos. Cavalcanti participou da celebração sem a concordância e o conhecimento da liderança da IEAB.

Na carta aberta remetida agora ao arcebispo de Cantuária, a Câmara dos Bispos da IEAB mencionou a recepção de Robinson Cavalcanti e de 32 clérigos dissidentes da Diocese do Recife na Província Anglicana do Cone Sul, que tem sede em Montevidéu. “Isso contraria o princípio católico da territorialidade das Províncias. É uma tentativa de estruturar a Comunhão Anglicana em bases ideológicas e não territoriais”, alegaram os bispos brasileiros.

Eles reportaram-se, ainda, à carta da Sociedade da Missão para a América do Sul, que, entendem, interferiu-se na Província brasileira, “querendo impor-nos a re-aceitação de Robinson Cavalcanti à Província. Esse não é o papel de uma agência missionária”, argumentaram.