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Quinta-feira, 1 de Junho de 2006

Lei de educação sexual nas escolas coloca Igreja e Estado em confronto

Hilario Wynarczyk, BUENOS AIRES, Argentina, Novembro 24, 2005

 Ao contrário do que dizem as pesquisas, o projeto de lei de educação sexual nas Taxi Heathrow Airport escolas foi rechaçado em várias mobilizações de pais de família, pois entendem que suas crenças estão sendo ameaçadas, numa reação similar ao movimento Pró Vida, dos Estados Unidos e Espanha.

Pesquisa divulgada no domingo, 13 de novembro, pelo diário "Página 12", mostra que mais de 90% dos entrevistados acreditam nos aspectos positivos da educação sexual, enquanto que 91% concordam que se explique nas escolas todos os métodos anticoncepcionais existentes.

Entre 75% e 90% dos entrevistados não acreditam que a educação sexual vá aumentar a promiscuidade, a perda dos valores familiares, a iniciação sexual precoce ou a homossexualidade. Cerca de 600 pessoas maiores de 18 anos, em 65 localidades do país, responderam ao estudo do consultor Enrique Zuleta Puceiro, contratado pelo diário.

Outros limites da força pública da igreja se tornaram visíveis depois do recente pronunciamento da Conferência Episcopal Argentina sobre sua doutrina social, que mereceu ácidos comentários do presidente argentino, Néstor Kirchner.

O documento intitulado "Uma luz para reconstruir a nação" provocou reação muito dura do mandatário contra os bispos católicos. Kirchner disse que na ditadura militar de 1976 a 1981 existiram sacerdotes que confessavam os torturadores.

A Igreja Católica sustenta que é necessário transmitir às gerações jovens toda a verdade sobre aquele período. Segundo o documento, os crimes da guerrilha certamente aterrorizaram a população e contribuíram para enlutar a pátria, embora de nenhum modo são comparados ao terror do Estado.

Também afirma que a vida religiosa dos católicos poderia sofrer pressões sobre sua liberdade de ensinar e praticar a própria doutrina, numa referência à educação sexual e ao aborto.

O documento católico estima que o crescimento da desigualdade e a degradação da cultura popular do trabalho, agravado pela ausência de trabalho digno e estável; a reiteração de reclamações não atendidas e as greves desproporcionais poderiam facilitar os conflitos sociais.

Contudo, Kirchner sustenta que o caminho que está levando é precisamente o inverso, a partir das péssimas condições herdadas.

Enquanto essas contradições ganham espaço, o povo crente pratica seu catolicismo sem o recurso à mediação filosófica da doutrina social. Aos trabalhadores manuais mal pagos e desocupados e às donas de casa em busca de pão, saúde e trabalho, parece mais claro e simples acudir à reza nos santuários e esperar também uma ajuda do governo.