![Máximo García Ruiz, presidente do Conselho Evangélico de Madrí, foi palestrante em foro sobre a pobreza. [Foto: Manuel López.]](/picture/garcia_maximo_74b22d.jpg)
I Congresso Protestante de Madri
Entrevista: Manuel López, MADRI, España, Novembro 10, 2005
Máximo García Ruiz, secretário executivo do Conselho Evangélico de Madri e presidente do I Congresso Taxi Heathrow Airport
Protestante de Madri (I CPM), responde as perguntas de ALC sobre o Congresso Protestante e sobre a realidade eclesial da Espanha.
García é bacharel em Sociologia e doutor em Teologia; reitor do Instituto Superior de Estudos Teológicos da Espanha e membro da Associação de Teólogos João XXIII e da Associação de Teólogos Usoz e Rio.
Entrevista: Manuel López
"O perfeito é inimigo do bom" é uma frase que você cita com freqüência em reuniões, para reconduzir ao terreno prático do abordável e realizável a proposta em questão que esteja na mesa. Quanto de perfeito ficará por atingir e quanto de bom cabe esperar do I Congresso Protestante de Madri (CPM)?
- Não creio que fique nada perfeito, no sentido de completo, daquilo que reúne todas as qualidades desejáveis. O Congresso deve ser uma plataforma de encontro, de diálogo, de debate, de contraste de opiniões, de reflexão, capaz de impulsionar os líderes e as congregações a conquistarem metas mais ambiciosas, reforçando os vínculos e as entidades que já temos estabelecidos, como são o próprio Conselho Evangélico de Madri, ao qual deveriam estar vinculadas todas as igrejas, associações e entidades de caráter evangélico, órgão que as representa perante as autoridades civis e que oferece uma imagem de unidade e de fortaleza.
Dois meses antes da celebração do I CPM, que terá lugar de 24 a 27 de novembro, estouraram as primeiras críticas, no sentido de que o evento estaria pensado para "agradar as autoridades" e não para proclamar o Evangelho. O que tem a dizer a respeito à crítica?
- Se alguém disse isso, foi de ignorância ou má-fé. Em nenhum momento o Comitê do Congresso esteve condicionado à opinião de que pudesse extrair as "autoridades". Fazer afirmações desse calibre é um atentado contra a inteligência e contra a verdade. O Congresso é, no melhor e mais extenso sentido do termo, uma imagem pública, um congresso de evangelização, já que oferece às igrejas um respaldo social e a oportunidade de aproximar seus "contatos" à igreja, aproveitando esse espaço intermediário entre ela e a sociedade. Esperamos que as igrejas saibam aproveitar esta grande oportunidade.
As irrupções mais recentes de entornos evangélicos ante a opinião pública sobre o modelo de família foram de um marcado matiz conservador. Até que ponto a direita religiosa estima que tem o direito de nos representar?
- Faz parte da nossa história, como protestantes, que não somos uma igreja estruturada sob uma hierarquia compacta. A característica mais marcante que nos identifica é a diversidade.
Somos plurais nas formas e nas ênfases que nos identificam. Por outro lado, somos herdeiros de determinadas correntes "evangélicas" procedentes de outras culturas, que condicionam nossa linha ideológica.
Pois bem, no tema concreto do modelo de família, como em tantos outros temas de interesse, falta-nos um debate interno, que marque nossa linha de pensamento. Esse é um dos temas que vamos tratar no I Congresso Protestante de Madri, e esperamos poder chegar a marcar algumas linhas que identifiquem nossa postura a respeito.
Pode se falar de paridade real de tratamento por parte da administração espanhola para com a Igreja Protestante, comparado ao tratamento que ela dispensa à Igreja Católica ou às comunidades islâmicas?
- Obviamente não, no que se refere à Igreja Católica. Essa segue sendo a matéria pendente da administração, tanto a regional como a estatal. A Igreja Católica continua a grande favorecida da administração, não importa qual seja o governo de turno. Com respeito às comunidades islâmicas, na medida em que vão se tornando cada vez mais visíveis socialmente a administração lhes dá mais atenção.
Se não se produzir um milagre, a Igreja de Filadélfia [de etnia cigana] será a grande ausente no I Congresso Protestante de Madri. Cabe esperar o milagre, ou lhe parece que é melhor que deixamos de acreditar nisso?
- Não sei se se trata de milagre ou de vocação. A igreja de Filadélfia foi convidada a fazer parte do Comitê Organizador. Foi convocada a tantas reuniões quantas convocadas. Foi-lhe concedido o status de irmãos, no mesmo nível das demais denominações ou famílias protestantes. Inclusive, um membro dessa igreja fará intervenção no Congresso. Estarão ausentes? Não sei. Desde logo são bem-vindos.
Outro coletivo que não estará devidamente representado é o dos imigrantes. O que fazer? Não lhe parece que as igrejas espanholas carecem de imaginação para articular a acolhida e incorporação de irmãos na fé procedentes de outras latitudes?
- Alguns dos participantes no Congresso procedem da imigração. Um dos dois coros que se apresentarão é integrado por imigrantes romenos. Incorporar os irmãos procedentes da imigração em nossas igrejas é um dos desafios mais significativos dos tempos que correm, efetivamente.
Nem nossas igrejas, nem nossa sociedade, estavam preparadas para receber o grande contingente de imigrantes que estão chegando, e tanto a nível político como religioso não fazemos outra coisa do que improvisar.
Os líderes religiosos têm que se esforçar para abrir foros de diálogo, nos quais tenham intervenção nacionais e imigrantes, para encontrar formas de integração fraternal, tanto em nível de crentes individualmente, como das próprias igrejas no emaranhado associativo.
Até que ponto o necessário programa de inculturação dos imigrantes não seria extensível também aos fiéis protestantes de Madri, no sentido de incorporar a Reforma - tanto do magistério como a radical- nos programas de educação cristã das igrejas?
- Integrar exige pôr em tensão os que recebem e os que se incorporam. Ambas as partes têm que estar dispostas a renunciar ou, melhor ainda, a enriquecer-se mutuamente. As igrejas não podem viver de costas a essa realidade e fariam bem em incorporar programas de educação em ambas as direções e de convivência cristã. Para isso, é preciso mudar a mentalidade, no sentido de renunciar ao sentimento de que "esta é minha terra", "esta é minha igreja", e estar em condições de dar aos que chegam o tratamento de irmãos no mesmo plano de igualdade e direitos.
- Como gostaria que o I CPM fosse lembrado para a história?
- Como um evento no qual os evangélicos de Madri se sentiram como um povo com interesses comuns, que foram capazes de sonhar projetos de futuro. Sempre soa bem aquilo que marca uma nova época para o Protestantismo madrilenho, mas me parece um pouco grandiloqüente. Talvez porque se acredite na consciência da necessidade de fortalecer nossos vínculos em meio à diversidade.

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