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Domingo, 30 de Maio de 2004

Pastor presidente da IECLB, Huberto Kirchheim [Foto JOREV]
Pastor presidente da IECLB, Huberto Kirchheim [Foto JOREV]

Huberto Kirchheim: Com falhas, mas unidos

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Agosto 8, 2002

Recém regresso de viagem a Europa, o pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana Taxi Heathrow Airport no Brasil (IECLB), Huberto Kirchheim, tomou conhecimento do documento da Pastoral Popular Luterana (PPL) mas ainda não teve oportunidade de fazer uma avaliação mais profunda do mesmo.

O documento, disse Kirchheim em entrevista à ALC, "é confuso, pobre e incoerente em algumas coisas. Não sei ainda se vou respondê-lo".

Admite, contudo, que a IECLB, por ser uma igreja democrática, precisa dessa crítica que parte do referencial teológico e está aberta ao debate.

"Graças a isso, ela é uma igreja unida. Aliás, é uma das poucas igrejas históricas que não se dividiu", destaca. Depois de duas gestões consecutivas, Kirchheim deixará a presidência da igreja no final do ano.

"Fico devedor em algumas áreas. Mas independentemente de fracassos humanos, fomos graciosamente mantidos em unidade", afirma.

No relatório que levará ao Concílio Geral, agendado para os dias 16 a 20 de outubro, na cidade de Santa Maria do Jetibá, Espírito Santo, Kirchheim apresentará uma análise bem diferente daquela da PPL sobre o novo arcabouço sinodal e administrativo da IECLB.

"Aparentemente, a nova estrutura solidificou-se nos últimos quatro anos", rebateu o presidente, lembrando que a igreja luterana entende-se em constante processo de reforma.

Nenhuma estrutura pode abarcar essa concepção de estar concluída. Ela deve ser dinâmica e há muito tempo a IECLB deveria ter passado por uma reestruturação.

"Mas os luteranos são muito conservadores. Levou 20 anos para que a reforma acontecesse", explica. Na nova estrutura houve a democratização dos poderes e "estamos ensaiando uma igreja descentralizada", arrola.

Quanto à formação e capacitação de não-pastores, "nunca se investiu tanto em leigos como nesses tempos". O Sínodo Vale do Taquari, por exemplo, está investindo num centro de formação teológica para leigos.

"O problema é que espaços temos para a atuação dos leigos, que espaços nós, pastores, abrimos para a atuação leiga", identifica Kirchheim.

Graças ao Plano de Ação Missionária (Pami), aprovado no Concílio Geral de Chapada dos Guimarães, em 2000, e questionado no documento da PPL, a IECLB conta com 34 novos campos de trabalho.

"Revertemos o quadro de dois anos atrás, quando verificávamos a existência de mais obreiros do que de vagas. Agora não temos mais problemas, pois abriram-se novos campos", menciona o presidente.

O próximo Concílio vai apreciar, inclusive, um texto suplementar, que está trazendo propostas de como concretizar o Pami, adianta Kirchheim. Ele aceita o comentário de que a nova estrutura precisa ser examinada em alguns pontos.

"Na área financeira a coisa não andou como imaginávamos", confessa, acrescentando, contudo, que o previsto no orçamento foi realizado até aqui, apesar de todo o quadro recessivo do país.

Ele se admira que a PPL, que atua junto a movimentos sociais, não tenha apontado a difícil situação econômica-financeira que se abate sobre toda a sociedade brasileira, ao avaliar as finanças eclesiais. A crise na agricultura traz sérios reflexos para dentro da igreja, frisa Kirchheim.

Ele entende que a PPL foi infeliz quanto ao momento de apresentar o documento, a menos de três meses da escolha de uma nova direção nacional da igreja. Ele preferiria ter visto esse documento na rua depois do Concílio Geral.