Cúpulas Das Américas - Frente única contra o império
Micael Vier B., PORTO ALEGRE, Brasil, Novembro 4, 2005
Está se formando na América Latina uma frente comum anti-Bush, resultado da política externa dos Taxi Heathrow Airport Estados Unidos, declarou o secretário executivo da Fundação Luterana de Diaconia (FDL), pastor Sílivo Schneider, referindo-se aos protestos agendados contra Bush na Argentina.
"A partir dessa constatação, pode-se dizer que não há uma consciência de América enquanto unidade, mas sim fragmentada pela tentativa de dominação deuns sobre os outros", disse Schneider. A IV Cúpula representa mais um encontro protocolar do que uma alternativa de mudanças para o continente,avaliou.
A proposta da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), cujas negociações estão paralisadas desde setembro, não tem as bases voltadas para asnecessidades do povo. "A ALCA é mais vista sob o ângulo empresarial do que do ponto de vista dos trabalhadores e marginalizados", frisou.
O pastor luterano ressaltou o trabalho das igrejas no continente latino-americano, que estão empenhadas em criar alternativas de economia popular solidária, baseadas no sistema de trocas e não na exploração daquele que produz.
O bispo Sebastião Armando Gameleira Soares, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), em Pelotas, disse que enquanto o comércio internacional não for regido por relações justas e igualitárias, a ALCA "será mais um instrumento de dominação dos nossos países".
Gameleira Soares elogiou a postura política brasileira no cenário internacional, e disse que um dos motivos pelo atraso no cronograma das negociações da ALCA deve-se à resistência do Brasil, que tem criado obstáculos para a implantação do mercado comum das Américas.
Em entrevista à ALC, o bispo anglicano afirmou que a globalização, patrocinada pelos Estados Unidos e países do Primeiro Mundo, é um mito, pois permite a livre circulação de produtos dos países ricos para os países em desenvolvimento, mas a recíproca não é verdadeira. "É tudo uma falácia, uma nova fase do imperialismo de sempre sem qualquer novidade".
O bispo de Pelotas destacou que o mundo atravessa um momento delicado nas relações internacionais devido, principalmente, à força econômica, política e militar do "império americano". "Não temos uma alternativa no momento depois da derrubada do bloco soviético", manifestou.
Para o vice-presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), pastor Paulo Jung, a IV Cúpula das Américas gera grande expectativa, "pois vem ao encontro das necessidades da sociedade na atualidade".
Jung questionou, contudo, a prerrogativa de que os Estados Unidos e o presidente Bush representem os defensores da democracia no mundo. "Bush tem me parecido uma pessoa extremamente intrometida na política, na economia e na defesa dos países, por isso não sei até que ponto isso é válido".
O vice-presidente da IELB manifestou esperanças de que as negociações para a implantação da ALCA possam ser fortalecidas no encontro de Mar del Plata, pois "somente com a contribuição de todos poderemos formar um continente mais fortalecido".
A primeira Cúpula das Américas, articulada pelo então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, foi realizada em Miami, em 1994. As outras duas edições do encontro ocorreram no Chile, em 1998, e no Canadá, em 2001.
Participam do encontro de Mar del Plata 34 chefes de Estados e governos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Isso significa que todos os países das Américas estarão representados na Argentina, com exceção de Cuba, suspenso pela entidade em 1962.

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